Condenada do 8 de Janeiro, brasileira foragida é presa após deportação dos Estados Unidos
A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quarta-feira, 27, Rosana Maciel Gomes, que chegou ao Brasil em um voo fretado pelo governo dos Estados Unidos depois de ser deportada. Ela foi detida no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (MG), e encaminhada ao Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte.
Rosana foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 13 anos e seis meses de prisão por envolvimento nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Ela respondeu pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada.

A moradora de Goiânia (GO) está entre as mais de mil pessoas presas pelo ataque às sedes dos Três Poderes que tiveram liberdade provisória concedida mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Ela era considerada foragida desde 15 de janeiro do ano passado, após romper a tornozeleira eletrônica que usava e fugir para o Uruguai pela fronteira com o Rio Grande do Sul. Depois, esteve na Argentina.
Em março deste ano, ela foi presa nos Estados Unidos por imigração ilegal com outras três brasileiras, também condenadas pelos atos antidemocráticos. O grupo foi detido em El Paso, no Texas, um dia após a posse de Donald Trump. De acordo com a Polícia de Imigração e Alfândega (ICE) americana, três delas foram interceptadas pela Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos ao tentarem entrar “ilegalmente” no país.
Enquanto aguardava a extradição, Rosana foi uma das brasileiras que recebeu a visita de comissão formada por senadores brasileiros, paga com recursos do Congresso Nacional. A viagem foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, após um requerimento apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) para averiguar as condições de prisão.
Durante o trâmite do processo no STF, a defesa dela argumentou que sua presença nas imediações da Praça dos Três Poderes tinha o objetivo de “se manifestar de forma pacífica em prol da democracia” e defender “mais transparência acerca de como ocorreram as votações e segurança das urnas eletrônicas” nas eleições de 2022.
A tese não foi aceita pela Corte, que entendeu que o conteúdo de seu aparelho celular era voltado a “efetivar a ação antidemocrática, interromper o Estado Democrático de Direito e prevalecer o golpe de Estado com intervenção militar”.