29 de agosto de 2025
Politica

Sidônio alinhou discursos no governo para usar megaoperações na promoção da PEC da Segurança

O Palácio do Planalto aposta nas megaoperações simultâneas deflagradas nesta quinta-feira, 28, como plataforma para promover a PEC da Segurança Pública. O governo busca usar a ofensiva contra o crime organizado como um case de sucesso.

Por orientação do marqueteiro Sidônio Palmeira, chefe da Comunicação, as operações foram apresentadas como uma amostra, na prática, dos benefícios que um trabalho coordenado nacionalmente pode oferecer no enfrentamento à criminalidade.

A Segurança Pública é uma das áreas em que o governo Lula tem maior dificuldade de melhorar a percepção das eleitores. A PEC da Segurança é a proposta mais ambiciosa do presidente para tentar reverter a avaliação.

O projeto enfrenta resistência no Congresso e oposição de governadores, que temem perder autonomia na política de segurança. Profissionais do setor também já criticaram publicamente a proposta.

Com um discurso alinhado, os ministros ministros Ricardo Lewandowski (Justiça) e Fernando Haddad (Fazenda), o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues e a secretária da Receita Federal Andrea Costa Chaves participaram de uma coletiva nesta manhã. A palavra de ordem foi “coordenação”. Sidônio acompanhou a entrevista.

Pai do projeto de emenda à Constituição, Lewandowski defendeu que megaoperações como as que foram deflagradas nesta quinta vão se “tornar uma realidade no cotidiano” se o texto for aprovado.

“O crime organizado, como tenho dito, não é mais local, não é mais apenas nacional, mas é inclusive global. Portanto apenas com uma visão macro, a partir do governo, que se espraia para todos os Estados do Brasil, é que foi possível o êxito dessa operação”, afirmou. “Nós precisamos institucionalizar isso.”

Haddad pediu que as “disputas menores” sejam deixadas de lado para “combater o crime em uníssono, de forma coordenada, como política de Estado”.

“Vejo na PEC encaminhada pelo governo federal um caminho para que essa coordenação seja naturalizada, seja o dia a dia da nossa ação contra o crime. Isso vai criar sinergias importantes entre as diversas forças envolvidas”, disse o ministro.

“O crime se sofistica e o Estado tem que sofisticar a sua atuação contra o crime. Contra o crime organizado é preciso haver resposta organizada.”

O diretor-geral da Polícia Federal elogiou a “capacidade de cooperação e integração entre diferentes agências”.

Os ministros Sidônio Palmeira (secretário de Comunicação Social da Presidência), Ricardo Lewandowski (Justiça) e Fernando Haddad (Fazenda) o diretor-geral da Polícia Federal,  Andrei Rodrigues em coletiva sobre operações contra o crime organizado.
Os ministros Sidônio Palmeira (secretário de Comunicação Social da Presidência), Ricardo Lewandowski (Justiça) e Fernando Haddad (Fazenda) o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues em coletiva sobre operações contra o crime organizado.

A subsecretária de fiscalização da Receita Federal defendeu a cooperação entre os órgãos de investigação, controle e inteligência para mudar o foco de “casos pequenos” aos elos das cadeias do crime.

A PEC da Segurança foi enviada ao Congresso em abril. Em julho, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o texto e o enviou para análise em uma comissão especial, onde está parado. A proposta também precisa passar pelo crivo do Senado.

O projeto é visto no governo como uma iniciativa estruturante para a Segurança Pública. O objetivo é unificar sistemas e investigações e, com isso, tornar o combate ao crime mais eficiente. Governadores temem interferências nas políticas locais.

As três operações, deflagradas simultaneamente nesta quinta, tinham entre os alvos escritórios na Faria Lima, em São Paulo, centro do sistema financeiro do País. Como revelou o Estadão, houve 42 alvos na localidade. Uma das operações, batizada de Carbono Oculto, foi capitaneada pelo Ministério Público de São Paulo, mas tinha alvos em comum com as investigações da PF.

 

 

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