PCC tinha ‘plano macabro’ para executar promotor, diz juiz ao mandar prender ‘Mijão’ e empresários
A Justiça de São Paulo classificou como “macabro” o plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público do Estado que enfrenta as facções.
Os empresários Maurício Silveira Zambaldi e José Ricardo Ramos foram presos nesta sexta-feira, 28, em Campinas, no interior de São Paulo, por suspeita de envolvimento no plano de execução. O Estadão busca contato com as defesas.
O juiz Caio Ventosa Chaves, da 4.ª Vara Criminal de Campinas, que determinou as prisões, afirma na decisão que o objetivo era a “eliminação física” do promotor.
“Lamentavelmente, há indícios veementes de veracidade do gravíssimo fato noticiado, até porque evidenciado que os novos investigados mantém estreitos vínculos entre si e a organização criminosa da qual seriam integrantes”, diz a decisão.

O plano foi descoberto na Operação Linha Vermelha, investigação do Gaeco de Campinas sobre uma das frentes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro do PCC.
Documentos e celulares apreendidos no inquérito indicaram a compra de veículos e armas e a contratação de atiradores para montar uma emboscada contra o promotor.
“Os documentos ora apresentados, indubitavelmente, corroboram a necessidade das providências pleiteadas para permitir o aprofundamento ainda maior das investigações e evitar que tal plano macabro, se existente de fato, seja levado a efeito”, escreveu o juiz.
Segundo os investigadores, a ordem para executar Silveira Filho partiu de Sergio Luiz de Freitas Filho, o “Mijão”, um dos membros da Sintonia Final da Rua do PCC. O traficante está foragido na Bolívia.
COM A PALAVRA, AS DEFESAS
O Estadão busca contato com as defesas. O espaço está aberto para manifestação (rayssa.motta@estadao.com; fausto.macedo@estadao.com).