12 de janeiro de 2026
Politica

Derrite apresenta quinta versão do PL Antifacção a líderes do Centrão, com recuos sobre PF e Receita

BRASÍLIA – O relator do projeto de lei antifacção, Guilherme Derrite (PP-SP), apresentou a quinta versão do texto substitutivo à proposição em reunião com lideranças do Centrão na manhã desta terça-feira, 18. O texto tem alterações com novos acenos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Presentes no encontro relatam que Derrite apresentou duas principais mudanças: a preservação de recursos da Polícia Federal e outras medidas que afetariam a Receita Federal.

Guilherme Derrite foi escolhido relator do PL Antifacção por Hugo Motta.
Guilherme Derrite foi escolhido relator do PL Antifacção por Hugo Motta.

Neste último caso, na último relatório protocolado na Câmara, na semana passada, Derrite diz que a alienação de bens do crime organizado só pode ser feita após o trânsito em julgado de decisão judicial. Além disso, trechos do texto, retirariam da Receita a capacidade de aprender mercadorias e de declarar o perdimento de contrabandos.

O relator recuou. Agora quer propor que o perdimento de bens ocorra de forma imediata. O perdimento já poderia ocorrer durante a fase de inquérito policial.

O encontro ocorreu na Residência Oficial da Câmara dos Deputados, onde fica o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com representantes de legendas como MDB, PP, Republicanos, União Brasil e Podemos. Não houve representantes do governo neste encontro.

Presentes nessa reunião disseram ao Estadão estarem confiantes de que o projeto deverá ser votado nesta terça-feira, 18, como previsto, e dizem que o texto aptem qualidade.

Como mostrou o Estadão, delegados, auditores e empresários do setor de combustível apontam no relatório de Derrite ataque à Receita Federal, inviabilizando o combate ao contrabando, a Operação Carbono Oculto e até ações como a das joias do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Até o momento, o governo Lula mantém a posição contrária às quatro minutas já protocoladas por Derrite.

Nesta segunda-feira, 17, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), disse que Derrite “perdeu as condições” para ser o relator do projeto de lei antifacção.

Há ainda a previsão de que Hugo Motta se reúna com os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) para tratar com o governo do novo texto do projeto antifacção.

Mais cedo, em sessão da CPI do Crime Organizado desta terça-feira, 18, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues criticou a celeridade na discussão do PL Antifacção na Câmara, o conflito entre legislações e o que chamou de “descapitalização” da corporação prevista no relatório.

“Outro (ponto) afeta a PF, que é a questão dos recursos. Estamos falando de descapitalizar o crime organizado, não podemos fazer uma proposta que descapitalize a PF. Há ali a retirada de recursos dos fundos federais (Funapol, Fundo Nacional de Segurança Pública, fundo antidrogas), e isso traria prejuízo, redução de recursos para a PF. A gente busca o contrário, a ampliação do orçamento da PF”, afirmou.

 

 

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