‘Não foi uma festinha de domingo’, ‘cala boca já morreu’: as frases de Carmen Lúcia que viralizaram
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), é conhecida por votos firmes e frases que se tornaram marcas de sua trajetória no tribunal. No julgamento desta quinta-feira, 27, ao discutir a possível omissão do Estado na garantia de direitos da população negra, ela voltou a recorrer ao uso de referências culturais, citando versos de Emicida e trechos de Carolina Maria de Jesus, para ilustrar desigualdades históricas.
O episódio se soma a outros momentos emblemáticos da ministra no plenário e fora dele.
Durante o julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros réus pela trama golpista de 8 de janeiro, o voto da ministra gerou 134 mil menções nas redes X, Instagram, Facebook e TikTok, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque. A repercussão colocou Cármen Lúcia entre os assuntos mais comentados no X (antigo Twitter).
Veja a seguir algumas das frases icônicas de Cármen Lúcia.

“Não foi uma coincidência, nem uma festinha de domingo”
Durante o 3º dia de julgamento do STF sobre a trama golpista de 8 de janeiro, quando o Supremo formou maioria pela condenação de Jair Bolsonaro e de aliados, Cármen Lúcia reforçou que os ataques não foram espontâneos, mas parte de um movimento organizado.
Pelo menos 816 mil pessoas assistiram ao mesmo tempo no YouTube ao voto da ministra. Ao votar pela condenação, afirmou que os atos não podem ser tratados como algo circunstancial ou festivo, mas como uma tentativa real de ruptura democrática.
“A violência aconteceu. E não foi ocasional, nem foi algo precário, que houve uma coincidência naqueles dias de sábado à noite e de domingo durante o dia […] Porque isto não aconteceu por uma festinha de um final de tarde que, por uma coincidência, todo mundo resolveu visitar Brasília e aí aproveitou e, com pedra, pau”, afirmou.
“Encontro do Brasil com seu passado”
Antes de iniciar a leitura do voto na Primeira Turma, a ministra fez um discurso sobre a importância do processo para a democracia no País e destacou ainda que a trama golpista é “quase um encontro do Brasil com o seu passado, com seu presente e com o seu futuro”.
Ela defendeu ainda que, sem a punição dos golpistas, “não se terá verdadeiramente Estado democrático de Direito” no Brasil.
“Mil e uma vezes reconstruiríamos este prédio”
A fala também ocorreu durante o voto da ministra no julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus pela trama golpista de 8 de janeiro. Ao relembrar o ataque às sedes dos Três Poderes e a destruição do prédio do Supremo, a ministra afirmou que a Corte não se intimidará diante de ameaças à democracia.
“É inútil, pois mesmo que desejassem destruir mil vezes este Supremo Tribunal Federal, subsistiria incólume o sentimento de reverência desta casa pelo Estado Democrático de Direito. E mil e uma vezes reconstruiríamos este prédio, como fizemos agora, sem interromper um só instante o exercício da jurisdição, graças à tenacidade dos que respeitam as instituições e amam a democracia”, afirmou.
“Nós, mulheres, ficamos dois mil anos caladas”
Durante a mesma sessão, quando os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes pediram a palavra enquanto ela apresentava seu voto, a ministra respondeu em tom de brincadeira sobre interrupções, lembrou a desigualdade histórica de gênero. “Nós, mulheres, ficamos dois mil anos caladas, e agora queremos o direito de falar”, brincou a ministra.
“Cala a boca já morreu”
A frase foi dita em 2016, quando Cármen Lúcia presidia o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Supremo Tribunal Federal, durante palestra na ESPM no X Fórum da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner). Ao defender a liberdade de imprensa e de expressão, ela afirmou que não há espaço para censura no Brasil democrático:
“A imprensa é livre e não é livre como poder. É livre até como uma exigência constitucional para se garantir o direito à liberdade de informar, e do cidadão ser informado para exercer livremente a sua cidadania. Portanto, eu vou dar cumprimento ao que o Supremo já decidiu reiteradamente: é fato, cala a boca já morreu”.
“Sem juízes, você não pode dormir em paz”
A ministra fez essa declaração em um seminário sobre os 40 anos das Diretas Já, na OAB-SP. Com a Constituição em mãos, ela destacou a importância do Judiciário como garantidor dos direitos previstos na Carta. Em meio a críticas recorrentes ao Supremo por suposto “ativismo”, ela respondeu defendendo a função constitucional da Corte.
“Não adianta apenas proclamar direitos, as leis não bastam. Sem juízes para fazer o que a lei tenha, você não pode dormir em paz”, disse. “Constituição não é aviso, não é proposta, não é consulta, não é sugestão. Constituição é lei. A lei fundamental.”
