29 de novembro de 2025
Politica

Cumpre não esquecer

Desmemoriados, os brasileiros em geral não cultuam seus heróis. Se há razões para o complexo de inferioridade, ante o desenvolvimento de outras nações e o atraso em nossa educação e paridade com o avanço civilizatório alienígena, nem por isso devemos esquecer quem foi nota marcante no protagonismo tupiniquim.

Uma dessas figuras hoje praticamente esquecidas é o Barão Geraldo de Resende, cujo nome completo era Geraldo Ribeiro de Sousa Resende. Em sua época, foi considerado o maior, o mais fino, o mais completo propagandista da nossa cultura cafeeira e das excelentes qualidades de nossas terras.

Para Pelágio Lobo, o Barão Geraldo de Resende era “um fidalgo autêntico: fidalgo de título, de educação, de maneiras e de berço. Seu pai foi o Conde, depois Marquês de Valença, Estevão Ribeiro de Resende, um dos grandes do Império, homem de cultura, nascido em Minas Gerais, formado pela Universidade de Coimbra, magistrado em Portugal e depois no Brasil”. Regressou ao Brasil junto com a família real e, além de exercer a Magistratura em São Paulo, ocupou posto de confiança de D. João VI, em lapidação de diamantes, junto à Casa da Moeda. Casou-se com uma das filhas do Brigadeiro Luís Antonio, Elídia Mafalda.

O Marquês educou sua numerosa família com apuro e rigor. Um de seus filhos, que tinha o seu nome, Estevão, formou-se em Direito pelas Arcadas, na turma de 1859-1863, aquela de que tomaram parte Campos Sales, Bernardino de Campos, Prudente de Morais, Rangel Pestana, Salvador de Mendonça, Teófilo Otoni e o infortunado poeta Paulo Eiró.

Geraldo, o Barão, não se formou em Direito. Mas tornou sua fazenda, Santa Genebra, um lugar esplêndido, de visitação das comitivas estrangeiras que chegavam ao Brasil e eram recomendadas, pelo próprio Imperador Pedro II, a conhecer a magnífica experiência cafeeira.

A Fazenda Santa Genebra tinha 1.250 alqueires paulistas, ou cerca de 2.500 hectares. A maior parte pertencera à Marquesa de Valença e, por herança, chegou a seu filho. Até 1850, fora um cultivo de cana para fabrico de açúcar e aguardente. Geraldo de Resende, moço da Corte, com educação europeia, que vivera em Paris e falava fluentemente francês e inglês, era, contudo, atraído pela terra e seduzido pela vida agrícola.

Instalou-se em Santa Genebra, adquiriu as terras vizinhas a seu cunhado, Luís Antonio de Sousa Barros e abandonou a cultura da cana, ampliando a cultura do café. Introduziu a adubação química e, por volta de 1870, os quinhentos mil cafeeiros do Barão Geraldo de Resende se tornaram alvo de admiração geral. Além do cultivo esmerado, ele construiu casas novas para os colonos, moradia ampla para a escravaria, que era numerosa. Máquinas e métodos modernos.

O ambiente de Santa Genebra era requintado. A baronesa tivera educação igualmente meticulosa. Era filha do Conselheiro Albino José Barbosa de Oliveira, grande figura do Império, que foi Presidente do Supremo Tribunal, primo de Rui Barbosa.

Mesmo antes da Abolição, o Barão introduzira em sua fazenda o trabalho livre e recebia colônias estrangeiras. Os colonos preferiam a sua propriedade em virtude do trato civilizado e o cordial estímulo que recebiam para obter autonomia econômica e social.

O Barão Geraldo de Resende foi cidadão atuante em Campinas. Ajudou os Quirino dos Santos e Normanton a fundar a Companhia de Águas e Esgotos, antecipando-se naquilo que ainda hoje o Brasil patina: adequado saneamento básico. Em companhia de José Guatemozim Nogueira, José Paulino Nogueira e Bento Quirino dos Santos, construiu a Estrada de Ferro Funilense, que servia o território entre Atibaia e o Jaguari. Daí proveio o Núcleo Colonial Campos Sales, de que derivou o município de Cosmópolis, contíguo à Usina Ester.

Campos Sales, republicano-mor, seja na presidência paulista, seja ao presidir a novel República, recomendava aos visitantes ilustres visitassem a Santa Genebra: “O Barão Geraldo de Resende é o meu pára-raio para estes apertos. Ele embasbaca os visitantes com a fazenda e encanta com o trato fidalgo que sabe dispensar-lhes”. Visitas custeadas pelo próprio anfitrião, sem qualquer aporte de dinheiro do Erário.

E o que aconteceu a esse grande patriota? Vamos continuar a falar sobre isso.

 

 

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