13 de janeiro de 2026
Politica

Ministros do STF acreditam que Toffoli quer, mas pode não anular liquidação do Master agora

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) acreditam que Dias Toffoli quer reverter a liquidação do Banco Master, mas não deve fazer isso agora. Na avaliação dos colegas, Toffoli estaria disposto a adiar essa medida. Evitaria, assim, que a Corte fosse ainda mais atacada pela opinião pública.

Além disso, ministros falam nos bastidores sobre a expectativa de virem à tona novas revelações com potencial para deixar o tribunal mais vulnerável a críticas.

Também paira sobre o Banco Central o temor de que Toffoli anule a liquidação do Master, como informou o colunista Alvaro Gribel. Nesse caso, haveria a possibilidade de técnicos do Banco Central serem transformados em investigados. As apurações da autarquia encontraram R$ 12,2 bilhões em créditos podres revendidos ao BRB.

O ministro Dias Toffoli é o relator no STF das investigações sobre fraudes no Banco Master
O ministro Dias Toffoli é o relator no STF das investigações sobre fraudes no Banco Master

Em caráter reservado, dois ministros do STF dizem que a pressão da imprensa pode frear os ânimos de Toffoli. Na Corte, há quem considere que o colega conduziu as investigações de forma atípica. Ele levou o caso para o Supremo, decretou alto grau de sigilo e determinou uma acareação antes mesmo de colher os depoimentos dos investigados.

Em um pequeno recuo, o ministro permitiu que a Polícia Federal realizasse primeiro os interrogatórios para, depois, avaliar a necessidade de proceder com a acareação no mesmo dia. Tudo isso durante o recesso de fim de ano – outro fator que contribui para a atipicidade das medidas adotadas até agora.

Para tornar o caso ainda mais peculiar, Toffoli voou no mesmo avião que um dos advogados do caso Master. A isenção do STF para conduzir o caso também foi levantada a partir da informação de que a advogada Viviane de Moraes, casada com o ministro Alexandre de Moraes, mantém um contrato de R$ 129 milhões com o banco.

Historicamente, o recesso do STF é comandado pelo presidente da Corte, que só atua em casos considerados urgentes. Nos últimos anos, ministros optaram por trabalhar durante o plantão. Dessa forma, podem despachar em processos dos quais são relatores. Toffoli e Moraes estão nesse time.

Entretanto, nem todo ministro do Supremo critica Toffoli. Também existe um grupo que considera a acareação importante para que se possa conhecer as versões dos representantes do Banco Central, do BRB e do Master. Reservadamente, um ministro afirmou ao Estadão que não haveria problema algum a realização do procedimento durante o recesso – muito embora a prática seja incomum.

 

 

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