12 de janeiro de 2026
Politica

Um novo ano com todos os filhos dos presidentes

Desde 1954, a Nação não se debruçava tanto sobre o que se diz e se pensa a respeito de familiares de um presidente. A cena atual tem um complemento único na história do País: as atenções também voltadas para as confusões dos filhos de um ex-presidente.

Lula e Jair Bolsonaro vão ter de lidar com suas proles no decisivo ano eleitoral de 2026
Lula e Jair Bolsonaro vão ter de lidar com suas proles no decisivo ano eleitoral de 2026

É notável a insistência com que os nomes da prole de Lula aparecem nas investigações da Polícia Federal. Primeiro foi o enteado, Marcos Cláudio Lula da Silva. Ele surpreendeu os agentes que bateram na porta da casa de sua ex-mulher, Carla Ariane Trindade, em Campinas, para cumprir um mandado de busca durante a Operação Coffee Break. Eram 6 horas, horário incomum para um ex-marido abrir a porta da casa da ex-mulher. Enfim, a ex-nora é suspeita de receber propinas de um empresário preso na operação, em 12 de novembro. Na mesma investigação surgiu um ex-sócio de Fábio Luís, o Lulinha.

Lulinha escapou, por enquanto, de ser convocado a depor em outro caso, o investigado pela CPI do INSS. Mas a Operação Sem Desconto mostrou que o Careca do INSS fez repasses de R$ 300 mil a uma ricaça e encontrou mensagens que sugerem que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”. Na Coffee Break há fotos e mensagens que mostram que a máfia da Educação tinha conexões com aquela do INSS, o que sugere que malfeitores dos dois esquemas estariam juntos e misturados.

As aparições dos familiares do presidente obrigaram Lula a dizer: “Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado”. O que os petistas temem não são os inquéritos e CPIs, mas a campanha eleitoral de 2026. É nela que a oposição vai questionar os papéis dos filhos de Lula, estratégia que não deve ser diferente da que o PT deve lançar: expor os filhos de Bolsonaro.

Relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar, mostra foto de reunião, em janeiro, de 2023, na qual estavam Wolney Queiroz, Antônio Antunes (Careca do INSS) e Osório Chalegre, atual adjunto da Previdência
Relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar, mostra foto de reunião, em janeiro, de 2023, na qual estavam Wolney Queiroz, Antônio Antunes (Careca do INSS) e Osório Chalegre, atual adjunto da Previdência

Flávio, o ungido pelo pai como pré-candidato à Presidência, hoje vive às turras com o STF, mas no passado contou com decisões da Corte para paralisar as investigações sobre a rachadinha em seu gabinete. Era retratado como o “filho rico do presidente”, dono de imóveis, lojas e influente nos tribunais. E não foi o único a ocupar o noticiário em 2025. Eduardo se aboletou nos EUA, onde, além de frequentar a Disney, fez lobby para prejudicar o País com tarifas e ameaças a magistrados em razão do processo que o pai respondia no Supremo. Conseguiu apenas perder o mandato e ganhar um processo por obstrução de Justiça no STF.

Por fim, 2026 reserva espaço a Carlos, que pretende se candidatar ao Senado por Santa Catarina em uma manobra que promete dividir a direita e permitir à esquerda obter no Estado uma, até então, improvável vaga no Senado. Enfim, o que 2026 promete é um ano com muitos dos filhos dos presidentes.

 

 

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