As surpresas e ‘não-surpresas’ que a política pode nos reservar em 2026
Foi-se 2025 e entramos neste ano eleitoral. Seremos todos chamados às urnas em outubro e o quadro pintado até aqui nos reserva surpresas e ‘não-surpresas’.
Já sabemos que de um lado estará o presidente Luiz Inácio Lula indo para sua sétima disputa pela cadeira presidencial. Do outro, por enquanto, temos uma lista de muitos pretendentes à direita, incluindo o Bolsonaro-01 que atualmente carrega o mandato de senador pelo Rio de Janeiro.

Embora à esquerda o jogo esteja dado, a eleição não está previamente ganha. Ainda que a façanha de um presidente perder a reeleição tenha sido apenas um feito exclusivo de Jair Bolsonaro, Lula, em tempos de redes e IA, sabe que não há margem para erros.
O petista também gastará um tempo fechando as alianças estaduais para garantir cabos eleitorais que ajudem a levar seu nome ao eleitor que já o conhece, mas pode vacilar.
À direita, Flávio Bolsonaro, se a família levar mesmo à sério sua estratégia de ser cabeça de chapa, precisa convencer aquela parcela do eleitorado que, em ojeriza ao saldo do governo de seu pai, preferiu aderir a Lula no segundo turno de 2022.
Os mais próximos tentam vender Flávio como o Bolsonaro que se vacina. Ele mesmo apela para a imagem de ser uma versão com filtros e light do ex-presidente. O marqueteiro que sugeriu esse discurso ao senador parece copiar aquelas propagandas antigas de cigarro que buscavam convencer o consumidor de que o malefício da coisa poderia ser atenuado por uma versão “suave” do produto.
O sobrenome Bolsonaro ainda mobiliza uma parte do eleitorado. Sem esse contingente, um candidato da direita não decola sozinho. A surpresa ficará, então, pela condução que a direita dará para si mesma.
A promessa de que todos os pretensos postulantes estarão juntos no segundo turno contra Lula todos já fizeram. Falta combinar com o eleitor quem vão apoiar como adversário do petista que segue sendo o favorito.
Fora do ambiente eleitoral, a corte brasiliense se depara com um desafio. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, propôs a edição de um código de ética para o Judiciário, incluindo a cúpula do próprio STF.
O desejo do magistrado vai na contramão do que boa parte do mundo jurídico acostumou-se a ver. De pai para filho, um magistrado transmite por hereditariedade o dom da sapiência jurídica e ajuda também a abrir portas e angariar clientes.
A regra não é exclusiva ao STF e às cortes superiores na capital federal e se alastra também pelo País. Então, quando propõe uma norma de conduta para que juízes sejam apenas juízes e não se beneficiem de lobby e outros privilégios, Fachin pode se deparar com a “não-surpresa” de uma reação a um texto que imponha limites à festa que está em voga nos tribunais.
