12 de janeiro de 2026
Politica

Juíza auxiliar de Moraes fará audiência de custódia com Filipe Martins

Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), passará por uma audiência de custódia às 17h desta sexta-feira, 2, depois de ser preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão será comandada pela magistrada Flávia Martins de Carvalho, juíza do gabinete de Moraes.

Moraes afirmou que Martins violou usou o LinkedIn no último dia 29 para buscar perfis de outras pessoas. O ex-assessor de Bolsonaro estava proibido pelo STF de usar as redes sociais e já vinha cumprindo prisão em regime domiciliar. Martins foi levado a uma penitenciária em Ponta Grossa (PR), cidade onde foi preso.

A defesa de Martins nega que ele tenha usado a rede social. Os advogados afirmaram que o perfil está sob controle deles para preservar provas, organizar informações relevantes ao processo e auditar os históricos digitais.

A audiência de custódia é um procedimento judicial que ocorre após a prisão. O objetivo da medida é avaliar a legalidade da detenção e decidir sobre a liberdade do preso. Nessa audiência, um juiz verifica se a pessoa sofreu alguma violência durante a detenção.

“Espera-se ao menos que a magistrada que conduzirá a audiência de custódia exerça os poderes mínimos que qualquer juiz possui nesse ato, com controle real de legalidade e possibilidade efetiva de deliberação. Se a custódia vira um rito em que ninguém decide, ninguém controla e ninguém responde, deixa de ser garantia e passa a ser encenação”, afirmou à Coluna do Estadão o advogado Ricardo Scheiffer, defensor de Martins.

Moraes: Filipe Martins agiu com ‘total desrespeito’

Na decretação da prisão preventiva de Martins, Moraes escreveu que “não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que a própria defesa reconhece a utilização da rede social, não havendo qualquer pertinência da alegação defensiva no sentido de que as redes sociais foram utilizadas para ‘preservar, organizar e auditar elementos informativos pretéritos relevantes ao exercício da ampla defesa’”.

O ministro afirmou ainda que Martins demonstrou “total desrespeito” pelas normas impostas e pelas instituições democráticas, “em virtude de que, ao fazer uso das redes sociais, ofende as medidas cautelares aplicadas, assim como, todo o ordenamento jurídico”.

No último dia 26, Moraes tinha ordenado a prisão domiciliar de Martins e de outros nove réus no processo da trama golpista, sob a justificativa de que havia risco de fuga. A decisão foi tomada horas depois que Silvinei Vasques, diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal no governo Bolsonaro, foi preso ao tentar entrar clandestinamente no Paraguai. O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) está foragido nos Estados Unidos.

Réu do “núcleo 2″ da trama golpista, Martins foi condenado pelo STF a 21 anos e seis meses de prisão. Ainda há espaço para recurso da defesa.

Filipe Martins, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais do governo Bolsonaro
Filipe Martins, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais do governo Bolsonaro

 

 

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