12 de janeiro de 2026
Politica

A briga pelos ativos do Master e os riscos para a credibilidade do BC e para as investigações da PF

O Tribunal de Contas da União (TCU) pediu uma inspeção em papeis sigilosos do Banco Central sobre a liquidação do Banco Master de Daniel Vorcaro.

Circulam informações de bastidor de que haveria pressão política para reverter a liquidação do banco, ou seja, desfazer com uma canetada o que foi feito pelo BC, que encontrou uma fraude bilionária, e colocar o Master de volta para funcionar. A realidade pode ser ainda mais complexa e, nem por isso, menos preocupante.

Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master deixa prisão em Guarulhos
Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master deixa prisão em Guarulhos

Vorcaro sabe que está fora do jogo.

Desde antes do escândalo, vinha tentando encontrar um comprador para o Master, porque perdeu um dos ativos mais relevantes do mercado bancário: credibilidade. Depois de tudo que aconteceu, quem vai se arriscar a tomar crédito e comprar um papel das mãos dele?

O que o banqueiro pediu ao TCU é que revise as ações do liquidante, indicado pelo Banco Central. E na decisão em que pede a inspeção, o relator, o ministro Jhonatan de Jesus, já avisa que pode impedir o BC de vender os bens do Master durante o processo de encerramento das atividades do banco.

A venda dos ativos é um processo necessário para pagar os credores. O Master tem dívidas trabalhistas, com fornecedores e, principalmente, com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Mantido pelas contribuições dos grandes bancos, o FGC teve que cobrir um rombo de R$ 41 bilhões no mercado ao ressarcir os correntistas do Master que tinham aplicações no banco. Muitos deles compraram papeis arriscados, com a perspectivas de altos lucros, que não se concretizaram.

É briga de cachorro grande. Fontes próximas a Vorcaro dizem que ele quer o “preço justo” pela venda dos ativos, que, obviamente, se desvalorizam com a liquidação. Os potenciais compradores desejam pagar barato.

Se o TCU intervir e o ministro bloquear a venda dos bens do Master, o banqueiro pode conseguir descongelar seus bens? Se algum suposto vício de processo aparecer lá na frente, Vorcaro pode tentar alguma indenização? Como uma canetada do TCU afetaria os processos contra o próprio Vorcaro na Justiça?

O céu é o limite para as especulações do que pode surgir da máquina do Judiciário.

Mas existem dois fatores importantíssimos em jogo nessa história: a credibilidade do Banco Central e as investigações da Polícia Federal.

O Brasil só conquistou a autonomia do Banco Central em 2021 e nunca a autoridade monetária esteve sob tanta pressão. Trata-se de um órgão técnico competente que teve a coragem de enquadrar um banqueiro com múltiplas relações políticas em Brasília.

O setor financeiro saiu em seu socorro com duas notas, mas até agora de forma tímida. Manifestações genéricas, sem entrevistas. O governo até agora pouco se envolveu. É preciso fazer mais. A credibilidade do BC é uma conquista do Brasil.

O material nas mãos do BC também é a base das investigações da Polícia Federal, que tem potencial para revelar uma teia de interesses da política brasileira, envolvendo principalmente políticos do centrão. A depender do que ocorrer no TCU e no Supremo Tribunal Federal (STF), podemos perder o que já foi investigado e travar o que a PF ainda poderia descobrir.

 

 

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