Impacto eleitoral da captura de Maduro tende a ser neutro no Brasil, analisa consultoria
A captura de Nicolas Maduro, ditador venezuelano, provocou reação imediata no Brasil dos principais atores políticos envolvidos nas eleições de 2026. As declarações em tom inflamado serviram para marcar posicionamento da esquerda e da direita no episódio. Mas os dois grupos falaram para convertidos, o que significa, numa avaliação mais ampla, que o impacto eleitoral da ação americana na Venezuela tende a ser neutro no Brasil.
Essa análise já começa a ser captada no mercado. Em mensagem enviada a investidores ontem, por exemplo, a Warren Rena ressalta: “Com as informações disponíveis até aqui, a leitura mais consistente é a de que se trata de um jogo de soma zero, sem efeitos relevantes de conversão eleitoral”.
No meio político, aliados do Planalto e integrantes da direita ainda acreditam que podem faturar com o episódio.
No bolsonarismo, a aposta é de que ganha força o discurso contra a ditadura venezuelana, destacando que o PT e seus aliados defendiam Maduro. Já na ala petista, a tentativa é de reforçar o discurso de soberania da nação, e a crença é de que isso ajuda Lula.
Essa é a expectativa, mas a realidade aparece com outras nuances.
Quando o presidente americano, Donald Trump, impôs o tarifaço ao Brasil, a retórica sobre soberania funcionou. Mas a situação era diferente. O caso prejudicou diretamente setores da economia brasileira, como o agronegócio e a indústria. No caso da Venezuela, o debate é ideológico.
É importante observar que as pesquisas para 2026 mostram que o eleitorado de esquerda e o de direita têm um teto estabelecido. A necessidade dos candidatos ao Planalto é conquistar o eleitor de centro, e estes não entram em embates ideológicos, estão mais focados na vida prática.

