Oposição venceu 70% das eleições presidenciais na América Latina e segurança é tema central
A oposição venceu 70% das eleições presidenciais na América Latina nos últimos três anos, com propostas sobre segurança pública em destaque. O incumbente foi derrotado em 13 das 19 disputas analisadas, com reviravoltas à esquerda e à direita. Os dados constam de um levantamento feito pelo cientista político Murilo Medeiros e obtido pela Coluna do Estadão.
Medeiros aponta que ocupar a Presidência deixou de ser uma vantagem automática nas urnas. Se antes o peso da máquina pública desequilibrava a campanha, agora o incumbente carrega um ônus elevado em pleitos em que o eleitor reage ao governo.
“A América Latina vive um ciclo de eleições reativas. O que se observa é um voto de insatisfação, cada vez mais reativo e menos paciente”, diz o especialista.
O cientista político cita três principais fatores para a dificuldade de presidentes latino-americanos se reelegerem:
- Frustração acumulada do eleitor;
- Promessas não cumpridas;
- Falta de sensação de ordem e de melhorias.
Foco na segurança pública, ‘calcanhar de Aquiles’ de Lula
Uma das consequências da sensação de falta de ordem no país é o aumento do eleitorado por propostas de segurança pública. Essa foi a tônica da vitória da oposição em cinco eleições presidenciais em 2025 na América Latina:
- Chile;
- Bolívia;
- Equador;
- Peru;
- Honduras.
“No caso do Brasil, a segurança pública desponta como um inexorável calcanhar de Aquiles para a atual gestão”, diz Medeiros. Ele ainda aponta que a segurança pública foi central para a vitória da oposição de Nayib Bukulele, em El Salvador em 2024, e de Javier Milei na Argentina em 2023.
