12 de janeiro de 2026
Politica

Socialismos e chavismos fascinam a tantos por ter estrutura de religião

Há um certo cliché proclamado pelos esquerdistas ou socialistas ao redor do mundo segundo o qual quem não está do mesmo lado deles é porque ou não possui o conhecimento adequado de história ou age por interesse ou por má-fé. A provocação pode ser devolvida na mesma moeda: então, qual o exemplo histórico de regime socialista real bem-sucedido? Será preciso forçar a barra para dar uma resposta positiva. Encontrar, por exemplo, governantes ou partidos socialistas exitosos, porém em regimes capitalistas. Ou invocar sociais-democracias, talvez escandinavas, que também fazem parte do capitalismo. Regime socialista mesmo, talvez nenhum. Existe?

Não podemos falar da União Soviética, dos países do Leste Europeu. Fracassaram de maneira retumbante. Podemos falar de países como China ou Vietnã. Mas seria necessário esconder que são exemplos que se mantiveram ditatoriais. Também fizeram um giro para o capitalismo de Estado. Seus parques industriais funcionam a pleno vapor por venderem produtos a países capitalistas ricos e pobres, porém com mão de obra mais barata e com menos direitos trabalhistas e previdenciários.

Protesto a favor de Maduro: gestão Chávez-Maduro legou ao seu povo uma ditadura colapsada a ser explorada por um governante tirânico como Donald Trump
Protesto a favor de Maduro: gestão Chávez-Maduro legou ao seu povo uma ditadura colapsada a ser explorada por um governante tirânico como Donald Trump

Temos agora o caso da Venezuela chavista. Não que lá fosse um paraíso antes da ascensão de Hugo Chávez, em 1999. Mas a ruína do vizinho é algo retumbante. O socialismo do século 21 resultou em queda abissal do Produto Interno Bruto, fuga de mais de um quinto da população, redução drástica da produção de petróleo e aumento exponencial da violência. A gestão Chávez-Maduro legou ao seu povo uma ditadura colapsada a ser explorada por um governante tirânico como Donald Trump.

Mas o socialismo segue defendido com vigor ao redor do mundo. Com a importante exceção das populações que estão sob o regime, que não marcaram presença nos protestos atuais contra a derrubada de Maduro, é apreciado nas universidades, entre artistas, intelectuais, políticos, jornalistas, influencers, twitteiros, militantes e sindicalistas. É cool ser socialista – que o diga o militante cibernético Jones Manoel. O Partido dos Trabalhadores, do presidente Lula, sempre foi um suporte político do chavismo – prontamente reconheceu a eleição fraudada de Maduro, em 2024, aliás.

A razão existencial para essa adoração a um regime que deixou de funcionar, como intuiu o pensador francês Raymond Aron, pode estar na estrutura religiosa da ideologia. As teses do socialismo falam em um presente de iniquidade e exploração e oferecem uma visão redentora da humanidade – um paraíso, porém na terra. Os militantes da causa, segundo Aron, “são, com toda a tranquilidade da alma, animados por uma fé: não visam apenas organizar racionalmente a exploração de recursos naturais e a vida em comum. Eles aspiram ao domínio das forças cósmicas e das sociedades, a fim de resolver o problema da história e de desviar da meditação sobre a transcendência uma humanidade satisfeita consigo mesma”. A citação está na página 97 da edição Três Estrelas do livro “O ópio do intelectuais”.

O socialismo possui as estruturas binárias de pensamento, típicas da religiões monoteísta – como bem versus mal, direita versus esquerda, explorado versus explorador, mercado versus Estado, e todas as outras formas de maniqueísmo. É um argumento bastante sedutor. Quem não quer estar do lado certo da história?

Enquanto isso, no capitalismo, com a valorização da ganância, da competição, com o crescimento desigual dos indivíduos e dos povos, é mais difícil de ser defendido do ponto de vista moral. Não adianta nem mesmo trazer toneladas de dados sobre a gigantesca evolução da qualidade de vida da população humana desde o advento do sistema – como queda da mortalidade infantil, longevidade, aumento da renda e inovações tecnológicas. Mesmo com mais entregas até mesmo sociais do que o socialismo (confiram os livros e dados sobre história econômica), o rival capitalista segue taxado como o demônio dos sistemas econômicos. Se pensarmos que nossa mente segue com as estruturas religiosas dos humanos antigos, faz todo sentido continuar a ser socialista à despeito dos fatos.

 

 

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