Risco de mais um apagão na pauta da segurança dificulta troca de Lewandowski no governo Lula
O presidente Lula (PT) corre para encontrar um nome para substituir Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça, que deve deixar o posto nesta semana. Ao contrário de outros ministérios, porém, a chefia da pasta não ficará com o secretário-executivo e é uma preocupação para o presidente. Mesmo sem cumprir a promessa de criar uma pasta específica à segurança pública, Lula precisa de um nome que sinalize que o governo se importa com a área, sob risco de enfrentar mais um apagão no principal tema da campanha deste ano. Por isso, um dos cotados é Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF). Procurados, Lewandowski e Andrei não respoderam.
A gestão de Andrei Rodrigues na PF está em alta com as operações policiais recentes. Uma delas foi a Carbono Oculto, a maior da história do País contra a infiltração do crime organizado na economia formal.
Uma ala do governo defende que Andrei deveria entrar na Esplanada apenas se as pastas fossem divididas, com a criação de uma específica para a segurança pública. Esse grupo também avalia que o novo ministro precisará de traquejo político.
Há uma preocupação também de como o Centrão, que tem integrantes investigados pela PF, reagiria à escolha de Andrei Rodrigues. De acordo com interlocutores do Planalto, esse grupo político pode ler a decisão como uma declaração de guerra, justamente no momento em que Lula tenta angariar apoio parlamentar para as eleições.
Nesse cenário, a avaliação é que Andrei ficaria muito empoderado na pasta e ainda manteria influência sobre a Polícia Federal ao escolher o seu sucessor.
Advogado-geral da Petrobras também é citado
Outro nome citado para substituir Lewandowski é o advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, que chefiou a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência no atual governo. Na gestão Dilma Rousseff, em meio ao processo de impeachment, Wellington foi nomeado ministro da Justiça, mas ficou poucos dias no cargo.
Lewandowski deixa cargo chateado por não aprovar PEC da Segurança
Segundo pessoas próximas a Lewandowski, o ministro deixa o Ministério da Justiça chateado por não ter conseguido avançar na aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso. Outro foco de tensão foi a resistência enfrentada dentro do Palácio do Planalto, especialmente na Casa Civil.
Auxiliares ressaltam que Lewandowski aceitou o cargo porque é um grande amigo do presidente. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal sempre deixou claro que topou a missão por ter sido um pedido direto do presidente.

