Caso Master vai se repetir se País não aprimorar regulação, diz economista
Roberto Luis Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), prevê que o caso do Banco Master, que teve a liquidação decretada pelo Banco Central (BC) e é investigado pela Polícia Federal por supostas fraudes bilionárias, pode se repetir se o País não aprimorar a regulação sobre instituições financeiras. E compara o cenário ao do Banco Santos, que faliu em 2005.
Em conversa com a Coluna do Estadão, Troster cita brechas graves no sistema financeiro, que têm dificultado uma intervenção rápida em caso de irregularidades. Ele defende a adoção de duas mudanças para interromper esse ciclo.
A primeira é a necessidade de analisar um banco não só pelo compliance, ou seja, se a empresa segue as normas regulatórias. O foco deveria ser o desempenho do banco, com detalhamento das carteiras da companhia.
“É preciso definir análises de desempenho, em vez de só compliance, para ver o desempenho do banco, de onde está vindo o lucro”, diz o economista.
‘Banco pega a melhor auditoria e deixa as ruins na gaveta’
Segundo Troster, a segunda mudança demanda responsabilizar auditorias e agências de ratings, que por vezes avaliam positivamente bancos sem lastro, como ocorreu no caso do Master.
O ex-economista-chefe da Febraban ressalta que as agências de ratings não são obrigadas a publicar avaliações negativas de empresas, o que enviesa a percepção do mercado.
“Um banco contrata três auditorias. Duas falam que ele é péssimo, o que não é divulgado, e uma diz que ele é bom, o que se torna público. Não há a obrigação legal de publicar o rating ruim, só o bom. Então o banco faz várias auditorias, pega a melhor e deixa as ruins na gaveta”.
Troster lembra que uma agência de rating elevou a nota do Master para “A” em outubro de 2024, cerca de um ano antes de o banco ser liquidado pelo Banco Central.
Nessa época, diz o economista, cerca de 40% da carteira de créditos do Master era composta por investimentos que venciam em mais de 15 anos, o que já deveria ter alertado o sistema financeiro. “É muito estranho o rating A. Ninguém assume o negócio”, afirma Troster.
A exemplo do Master, continua o economista, o Banco Santos teve uma ascensão meteórica antes da liquidação. Esse crescimento era sem lastro, sustentado em ativos de baixa qualidade.

