Em silêncio: 11 vereadores se calam em audiência na Promotoria sobre desvios milionários no Maranhão
Onze vereadores do município maranhense de Turilândia permaneceram em absoluto silêncio nesta quinta-feira, 8, durante audiência conduzida por promotores do Gaeco – braço do Ministério Público que combate organizações do crime e corrupção – em investigação sobre suposto esquema de desvios milionários na administração pública da cidade com cerca de 31 mil habitantes, situado a 150 quilômetros de São Luís. Todos os vereadores seguiram a mesma estratégia e se calaram diante dos questionamentos da Promotoria invocando o ‘direito de permanecer em silêncio’.
Os parlamentares são alvo da Operação Tântalo II, deflagrada no dia 22 de dezembro. A investigação põe sob suspeita, além dos vereadores, o prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil) e a vice, Tânya Mendes (PRD). Eles teriam envolvimento com um esquema de fraudes em licitações com uso de empresas de fachada supostamente criadas pelo prefeito e aliados políticos e que provocou um rombo de R$ 56 milhões nos cofres públicos.

Na ocasião, Curió teve a prisão decretada e se entregou. Em um endereço ligado a Tânya, que também foi presa, os promotores confiscaram R$ 100 mil em espécie. Pelo menos cinco vereadores passaram a usar tornozeleira eletrônica em regime de prisão domiciliar.
A reportagem do Estadão pediu manifestação da prefeitura e da Câmara. O espaço está aberto.
Durante buscas no dia da operação, autorizada pela 3.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, os promotores apreenderam uma pilha de dinheiro vivo. Inicialmente, a contagem indicou R$ 5 milhões recolhidos nos endereços de investigados, informou o Ministério Público.
Na audiência desta quinta, 8, seriam tomados os depoimentos dos vereadores José Ribamar Sampaio; Mizael Brito Soares; Nadianne Judith Vieira Reis; Daniel Barbosa Silva; Savio Araujo e Araujo; José Luis Araujo Diniz; Gilmar Carlos Gomes Araujo; Josias Froes; Carla Regina Pereira Chagas; Inailce Nogueira Lopes e Valdemar Barbosa.
Todos se encontravam na Promotoria de Justiça de Santa Helena, para onde foram deslocados a pedido do Ministério Público do Maranhão. Os promotores de Justiça do Gaeco abriram os trabalhos por meio de videoconferência, mas os vereadores frustraram as expectativas ao escolher o silêncio.
O nome da operação faz referência a Tântalo, personagem da mitologia grega condenado a uma punição eterna no submundo. Ele permanecia em um lago de águas cristalinas, com frutos ao alcance da vista, sem jamais conseguir saciar a sede ou a fome.
De acordo com o Ministério Público do Maranhão, a “metáfora é utilizada para representar o esquema investigado, no qual recursos públicos destinados a contratos para fornecimento de bens e serviços não resultaram em benefícios efetivos à população”.
