12 de janeiro de 2026
Politica

Como dinheiro fácil foi parar nas contas de influenciadores para bajular o Banco Master

As investigações do caso Master ganharam uma nova frente: estão, agora, na direção do mundo virtual. A Polícia Federal vai atrás do rastro do dinheiro para saber como uma leva de influenciadores entrou no jogo para bajular o banco liquidado e criticar a intervenção do Banco Central.

O que já veio a público da história diz respeito a uma trilha que tem meio e fim. Falta encontrar o começo. Ou seja, há pessoas que admitiram terem sido procuradas com oferta de dinheiro fácil em troca de postagens anti-BC e pró-Master.

Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, saindo da prisão
Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, saindo da prisão

Essas mesmas pessoas apontam quem foram os intermediadores da proposta no chamado “Projeto DV”, cujas iniciais não poderiam ser mais explícitas. Coincidem com as do nome e sobrenome do dono do banco liquidado: Daniel Vorcaro. Cabe à PF encontrar as provas da origem do negócio e do dinheiro que chegou a ser depositado para uns e outros. Os indícios apontam para o próprio DV.

Se o caso Master já vinha deixando políticos de Brasília receosos, agora é a vez do mundo das celebridades instantâneas. Deve ter gente correndo para apagar o que falou sobre a ação do Banco Central.

O grupo de empresas envolvidas na pescaria de influenciadores para o Projeto DV envolve agenciadores de Brasília e de Pelotas, entre outras praças. Lá do sul, o intermediário que agiu como contratante posa nas redes sociais como um jovem caçador de talentos. Diz ele que, procurado por empresas, sabe escolher quem tem o perfil mais indicado para fazer chegar a mensagem do dono do dinheiro até o público.

O caso Master, que já nos tinha mostrado como um banqueiro conquista apoios heterodoxos no centro do Poder, agora nos ensina que as táticas para defender o banco continuam sendo nada ortodoxas.

Nos idos da década de 1990, quando veio o Plano Real, teve banco quebrando. Com as contas fragilizadas num novo cenário econômico, instituições antigas foram liquidadas pelo Banco Central. Na leva entrou até o Banco Nacional, cuja história dos donos se misturava com a história do País e também da política.

Na época, não se teve notícia de que a atuação do BC tenha sido questionada por agentes públicos, nem mesmo por celebridades. O banco tinha sido patrocinador de Ayrton Senna e detinha a conta de artistas e apresentadores globais.

Também não houve ato do Tribunal de Contas da União, nem despacho de ministro do Supremo Tribunal Federal. O reclamo ficou por conta dos que perderam o controle do banco.

Mas a intervenção no Master vem num mundo em que o dono de um punhado de seguidores considera ser possível ganhar dinheiro levantando suspeitas sobre uma instituição como o Banco Central. Quando até ministro de tribunal acha que pode rever o caso, os influenciadores não estão sozinhos.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *