Como dinheiro fácil foi parar nas contas de influenciadores para bajular o Banco Master
As investigações do caso Master ganharam uma nova frente: estão, agora, na direção do mundo virtual. A Polícia Federal vai atrás do rastro do dinheiro para saber como uma leva de influenciadores entrou no jogo para bajular o banco liquidado e criticar a intervenção do Banco Central.
O que já veio a público da história diz respeito a uma trilha que tem meio e fim. Falta encontrar o começo. Ou seja, há pessoas que admitiram terem sido procuradas com oferta de dinheiro fácil em troca de postagens anti-BC e pró-Master.

Essas mesmas pessoas apontam quem foram os intermediadores da proposta no chamado “Projeto DV”, cujas iniciais não poderiam ser mais explícitas. Coincidem com as do nome e sobrenome do dono do banco liquidado: Daniel Vorcaro. Cabe à PF encontrar as provas da origem do negócio e do dinheiro que chegou a ser depositado para uns e outros. Os indícios apontam para o próprio DV.
Se o caso Master já vinha deixando políticos de Brasília receosos, agora é a vez do mundo das celebridades instantâneas. Deve ter gente correndo para apagar o que falou sobre a ação do Banco Central.
O grupo de empresas envolvidas na pescaria de influenciadores para o Projeto DV envolve agenciadores de Brasília e de Pelotas, entre outras praças. Lá do sul, o intermediário que agiu como contratante posa nas redes sociais como um jovem caçador de talentos. Diz ele que, procurado por empresas, sabe escolher quem tem o perfil mais indicado para fazer chegar a mensagem do dono do dinheiro até o público.
O caso Master, que já nos tinha mostrado como um banqueiro conquista apoios heterodoxos no centro do Poder, agora nos ensina que as táticas para defender o banco continuam sendo nada ortodoxas.
Nos idos da década de 1990, quando veio o Plano Real, teve banco quebrando. Com as contas fragilizadas num novo cenário econômico, instituições antigas foram liquidadas pelo Banco Central. Na leva entrou até o Banco Nacional, cuja história dos donos se misturava com a história do País e também da política.
Na época, não se teve notícia de que a atuação do BC tenha sido questionada por agentes públicos, nem mesmo por celebridades. O banco tinha sido patrocinador de Ayrton Senna e detinha a conta de artistas e apresentadores globais.
Também não houve ato do Tribunal de Contas da União, nem despacho de ministro do Supremo Tribunal Federal. O reclamo ficou por conta dos que perderam o controle do banco.
Mas a intervenção no Master vem num mundo em que o dono de um punhado de seguidores considera ser possível ganhar dinheiro levantando suspeitas sobre uma instituição como o Banco Central. Quando até ministro de tribunal acha que pode rever o caso, os influenciadores não estão sozinhos.
