12 de janeiro de 2026
Politica

TJ de Mato Grosso paga R$ 28,4 milhões em valores extras a magistrados e é alvo de denúncia no CNJ

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso pagou valores extras em dezembro a magistrados da Corte que variaram de R$ 1.097,49 a R$ 123.217,66, segundo planilha elaborada pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado (Sinjusmat) com base em dados da própria corte.

Ao todo, os pagamentos somaram R$ 28.485.472,21, distribuídos a 323 magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em dezembro de 2025, conforme o levantamento do sindicato.

A planilha elaborada pelo Sinjusmat indica que desembargadores afastados de suas funções também receberam valores extras no mês. Entre os casos está o desembargador Sebastião de Moraes Filho, que recebeu R$ 54.284,96, após ter sido aposentado compulsoriamente em novembro, ao completar 75 anos, idade-limite prevista na legislação. Consta ainda o pagamento de R$ 54.184,54 ao desembargador João Ferreira Filho, que também estava afastado do exercício regular do cargo no período.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

O pagamento foi viabilizado por meio de um crédito suplementar de R$ 40 milhões disponibilizado pelo governador Mauro Mendes (União) ao Judiciário, por decreto publicado em dezembro.

Decreto autoriza crédito suplementar para pagamento de despesas do Judiciário de MT.
Decreto autoriza crédito suplementar para pagamento de despesas do Judiciário de MT.

A queixa do sindicato se baseia em um artigo do regimento interno do TJ-MT que estabelece critérios de proporcionalidade para a quitação de despesas de exercícios anteriores. Pela regra, 30% do montante disponível vinculado às despesas com pessoal deve ser destinado ao pagamento de créditos de magistrados e 70% aos servidores. Já no caso de verbas de custeio destinadas a créditos de natureza indenizatória, o percentual se inverte: 70% para magistrados e 30% para servidores.

Diante desse contexto, o Sinjusmat levou o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), alegando falta de transparência na divulgação dos valores pagos individualmente. Documentos obtidos pelo Estadão mostram que o sindicato reiterou formalmente o pedido de acesso às informações após o TJ-MT não cumprir o prazo de 60 dias informado ao conselho.

O Sinjusmat sustenta ainda que a liberação de um crédito suplementar de R$ 40 milhões, autorizada por decreto do governador, amplia o risco de novos pagamentos sem transparência. Diante disso, o sindicato pediu ao CNJ a concessão de medida liminar para suspender repasses administrativos a magistrados até que toda a documentação solicitada seja integralmente divulgada.

Em um dos ofícios, a entidade deu prazo de 48 horas para que o tribunal disponibilizasse a documentação detalhada com os valores individualizados pagos a magistrados e servidores entre 2019 e 2024, sob pena de continuidade do procedimento administrativo no CNJ. Em outro documento, pediu o desarquivamento de processo interno, alegando que a apuração foi encerrada sem a apresentação dos dados solicitados.

Em nota, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso afirmou que os pagamentos de subsídios, férias indenizáveis, décimo terceiro salário e licenças-prêmio a magistrados são realizados em conformidade com a Constituição Federal, a legislação vigente e as normas do CNJ. Segundo o tribunal, as verbas seguem critérios legais objetivos, estão sujeitas a controle interno e externo e são divulgadas com transparência nos canais oficiais da instituição.

 

 

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