12 de janeiro de 2026
Politica

A Ciência não para

A vocação humana é a busca da perfectibilidade. E o compromisso com o saber espelha adequadamente essa característica ínsita aos humanos. Os desvios de personalidade, as patologias, a presença do mal e da violência não desnaturam a finalidade teleológica da humanidade. Ser a cada dia um pouco melhor.

Os avanços da tecnologia nos últimos anos evidenciam com eloquência o que deve ser a trajetória humana. Enquanto alguns detentores de poder ainda se digladiam e encharcam de sangue várias partes do globo, em outras – até de forma anônima – estudiosos debruçam-se sobre suas pesquisas e anunciam um mundo novo. Que pode ser bem melhor do que o atual, se o trabalho não for interrompido.

O Fórum Econômico Mundial é um espaço em que anunciar tais tendências repercute, porque é a tentativa de se antecipar ao amanhã e detectar o que poderá sacudir o mundo dentro em pouco. Para incentivar os seres humanos que ficam no silêncio e na solidão dos laboratórios a desenhar o futuro, edita-se, a cada ano, o relatório ‘Top 10 Emerging Technologies’, para divulgar o que o progresso científico, a sua aplicação prática e o mercado podem antecipar para os próximos anos.

Este ano, as inovações refletem quatro tendências: confiança e segurança, sustentabilidade na indústria, saúde humana e convergência entre energia e materiais. A primeira delas: compósitos estruturais de bateria (SBCs). Combina o armazenamento de energia com componentes estruturais de um veículo ou edifício, como painéis de carros elétricos e peças de aviões. Tudo fica mais leve, mais eficiente e com redução de emissões.

Depois vêm os sistemas de energia osmótico. Valendo-se da diferença de concentração de sal entre duas fontes de água separadas por uma membrana, tais sistemas geram eletricidade limpa, constante e de baixo impacto. Em terceiro, as tecnologias nucleares avançadas. Cresce a demanda por energia e a busca por desfossilização e, com isso, novas e menores usinas nucleares, assim como pequenos reatores modulares. Isso propicia energia limpa, com segurança maior e custo menor.

Também avançam as terapias baseadas em organismos vivos geneticamente projetados. Mediante a utilização de microrganismos como bactérias, células e fungos, geneticamente projetados, produzem-se substâncias terapêuticas: medicamentos ou hormônios e isso diretamente dentro do corpo humano.

Reduz-se o custo para a fabricação e aprimora-se o tratamento de enfermidades crônicas. Também se estimula o uso de GLP-1 para doenças neurodegenerativas. Eles já são utilizados para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Agora mostram-se potencialmente promissores para os cuidados a serem dispensados às enfermidades neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

Está adiantado o estudo para propiciar monitoramento bioquímico autônomo. Sensores inteligentes monitoram ininterruptamente parâmetros bioquímicos, assim como indicadores de doenças ou alteração química no solo e na água, sem a necessidade de intervenção humana. Já existem sensores vestíveis de glicose, conectados a smartphones. O monitoramento autônomo ainda enfrenta desafios como a curta vida útil dos sensores.

O potencial do hidrogênio verde está se tornando cada vez mais próximo. Ele é imprescindível à fabricação de fertilizantes. O uso de energia limpa para produzir amônia está ganhando escala.

Outra tecnologia que promete é a nanoenzima. Um material sintético com nanoescala, da ordem dos bilionésimos do metro), que imita a função das enzimas naturais, porém com maior estabilidade, facilidade de produzir e de forma muito mais barata do que a produção das nanoenzimas naturais.

Ainda surge como tecnologia bem próxima a estar disponível, o monitoramento colaborativo. Como existem sensores em casas, carros e escritórios, não é difícil criar uma rede interconectada capaz de trocar informações em tempo real. Isso poderá facilitar o monitoramento climático e a mobilidade urbana. Câmaras inteligentes monitorarão o trânsito e farão com que os semáforos trabalhem com sistema de ajuste automático.

Por fim, a derradeira tecnologia apontada por Gustavo Soares sobre o relatório do Fórum Econômico Mundial é a marca d’água em conteúdo gerado por IA. Para aferir a autenticidade e a procedência de textos gerados por IA o uso das marcas d’água invisíveis é uma receita perfeitamente viável.

Enfim, a ciência não para, assim como sua serva, a tecnologia. Os homens do direito é que são lentos para prever o que já está disponível e o que virá, causa da sensação de insegurança jurídica presente nesta República da Hermenêutica e da jurisprudência à la carte.

 

 

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