Caso Master: Reunião com BC tem constrangimento, mas TCU decide por diligência rápida; leia bastidor
Numa sala com mais de 20 pessoas, o Tribunal de Contas da União (TCU) concordou em avalizar as ações tomadas pelo Banco Central na liquidação do Master.
O compromisso foi de uma diligência rápida – que nem chega a ser uma inspeção – feita pelo corpo técnico do TCU, unidade respeitada conhecida como “audibancos”, e não mais pelo gabinete do ministro relator do caso, Jhonatan de Jesus.
A “audibancos”, aliás, já tinha concordado em relatório com o que havia sido feito pelo BC. Nenhuma chance de reversão de liquidação ou de congelamento de venda de ativos.

Conforme interlocutores ouvidos pela coluna, a situação dentro da sala de reuniões onde representantes do BC receberam os ministros do tribunal nesta segunda-feira, 12, era bem diferente do que foi descrito publicamente.
Enquanto o presidente do TCU, ministro Vital do Rego, contou aos jornalistas que o BC havia “pedido” a inspeção e queria o “selo de qualidade” do tribunal, na reunião, ficou evidente o constrangimento com a situação.
Desde que o TCU decidiu entrar no caso Master, ameaçando reverter ou dificultar a liquidação do banco de Daniel Vorcaro, muitas vozes da opinião pública se insurgiram contra.
Especialistas renomados questionaram o motivo de um tribunal que auxilia o Congresso na fiscalização das contas públicas dar a palavra final sobre fraudes bancárias de uma instituição cujo banqueiro tem amplas ligações com o Centrão.
E, agora, tudo que o TCU quer é sair dessa história preservando seu papel de interferir nas mais diferentes áreas do Estado – desse papel Vital do Rego não abriu mão.
Recuar totalmente da inspeção significaria reconhecer que o TCU não teria essa competência. Ainda fica a pergunta no ar de por que o TCU faz tanta questão de manter essa prerrogativa.
O BC concordou em baixar a temperatura política – afinal, o material a que o TCU deveria ter acesso já foi entregue ao tribunal. O restante está nas mãos do Ministério Público e da Polícia Federal. Já são sete inquéritos instalados.
Houve até um pedido de nota conjunta, que autoridade monetária negou. Se o TCU entrou nessa confusão, cabe a ele agora sair dela.
