13 de janeiro de 2026
Politica

Filhos de Vladimir Herzog são reconhecidos como anistiados políticos e vão receber indenização

Os filhos do jornalista Vladimir Herzog, morto sob tortura pela ditadura militar (1964-1985) em 1975, foram oficialmente reconhecidos como anistiados políticos pelo Estado brasileiro. Ivo e André Herzog terão direito a um pedido formal de desculpas e a uma reparação econômica de R$ 100 mil cada, conforme portarias assinadas pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, e publicadas na edição desta segunda-feira, 12 do Diário Oficial da União.

Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que o reconhecimento integra o processo de reparação histórica à família Herzog. Relatora dos pedidos de Ivo e André na Comissão de Anistia, a conselheira Gabriela de Sá afirmou que a decisão representa uma reparação histórica diante dos traumas intergeracionais causados pela ditadura.

O jornalista Vladimir Herzog ao lado da esposa, Clarice, e dos filhos, Ivo e André, em fotografia.
O jornalista Vladimir Herzog ao lado da esposa, Clarice, e dos filhos, Ivo e André, em fotografia.

“São considerados anistiados políticos todas as pessoas que sofreram atos institucionais, complementares ou de exceção na sua totalidade. Isso quer dizer que, quando se impõe restrições à convivência familiar, estamos lidando com uma medida de exceção que viola diretamente os direitos dos filhos e filhas de quem foi perseguido politicamente”, explicou.

Em 2024, a viúva de Vladimir Herzog, Clarice Herzog, já havia sido reconhecida como anistiada política, em decisão que agora é ampliada aos filhos do casal.

Segundo Gabriela, a documentação reunida nos processos evidencia o impacto direto do assassinato de Vladimir Herzog sobre os filhos desde a infância.

“A análise da vasta documentação juntada aos requerimentos de anistia política, demonstra o quanto Ivo e André Herzog foram afetados desde a infância pelas disputas em torno das diferentes versões sobre as circunstâncias do assassinato de seu pai, sobretudo, à ostensiva exposição do registro de Vladimir Herzog sem vida na cela do DOI-CODI, em São Paulo, ressaltando a necessidade de reconhecer as violações de direitos humanos que diretamente atingiram os irmãos, durante a época da ditadura”, disse.

A Comissão de Anistia, vinculada ao ministério, é o órgão responsável por analisar os pedidos de reconhecimento de perseguição política e emitir pareceres sobre os requerimentos. Criada em 2002, a comissão avalia casos em que há comprovação de atos de exceção praticados por motivação política durante o regime autoritário.

Em 2025, segundo a pasta, a Comissão de Anistia realizou 28 sessões de julgamento e publicou 1.463 portarias decisórias. Também ampliou a assistência aos requerentes, com cerca de 2,6 mil atendimentos e orientações ao longo do ano, no contexto do fortalecimento da agenda de justiça de transição no País.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *