14 de janeiro de 2026
Politica

Crianças na parada LGBT, juízes nas redes, emendas parlamentares; a pauta do STF para 2026

O Plenário do Supremo Tribunal Federal retoma, em fevereiro e março, o julgamento de processos de grande repercussão para a vida política e social do País, que tratam da nomeação de parentes para cargos públicos, participação de crianças e adolescentes em paradas LGBTQIAPN+ e suposto monitoramento de jornalistas e parlamentares durante o governo Bolsonaro.

A primeira sessão de julgamentos ocorre no dia 4 de fevereiro e traz à pauta ações que questionam as regras do Conselho Nacional de Justiça sobre o uso de redes sociais por magistrados, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Última sessão de fevereiro, marcada para o dia 26, discute o indulto concedido a condenados pelo Massacre do Carandiru
Última sessão de fevereiro, marcada para o dia 26, discute o indulto concedido a condenados pelo Massacre do Carandiru

Autoras da ação, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) sustentam, em linhas gerais, que a norma viola os princípios constitucionais da liberdade de manifestação de pensamento e de expressão.

Ao longo de fevereiro, o plenário também deve analisar temas como o pagamento de custas processuais pelo Ministério Público e o licenciamento ambiental.

Já os limites da liberdade de expressão, prevista para ser analisada na sessão do dia 11, discute a restrição imposta pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a publicações que denunciam crueldade contra animais na Festa do Peão de Barretos. Em setembro de 2025, o relator, ministro Luís Roberto Barroso, aposentado da Corte, votou pela anulação do acórdão do tribunal. O caso retorna com o voto-vista do ministro Alexandre de Moraes.

No dia 19, o Plenário deve julgar a validade da lei que instituiu o “Programa Escola Sem Partido” no município de Santa Cruz de Monte Castelo (PR). A ação foi proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pela Associação Nacional de Juristas pelos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e Intersexuais (Anajudh LGBTI). A relatoria é do ministro Luiz Fux.

Ainda em fevereiro, a criação de uma secretaria voltada à resolução de conflitos no Tribunal de Contas da União e a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS/Cofins estarão na pauta da Corte máxima.

Primeira sessão de março, no dia 4, leva ao Plenário da Corte o processo sobre coleta obrigatória de material genético de condenados por crimes violentos
Primeira sessão de março, no dia 4, leva ao Plenário da Corte o processo sobre coleta obrigatória de material genético de condenados por crimes violentos

No dia 25, o Plenário deve julgar a constitucionalidade de trechos do Pacote Anticrime, entre eles o dispositivo que prevê a perda de bens como um dos efeitos da condenação criminal no País. A ação foi proposta pela Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim) e está sob a relatoria do ministro Luiz Fux.

A última sessão de fevereiro, marcada para o dia 26, discute o indulto concedido a condenados pelo Massacre do Carandiru. A relatoria também é do ministro Fux.

Infidelidade partidária e nepotismo; veja as sessões de março

A primeira sessão de março, no dia 4, leva ao Plenário da Corte o processo sobre coleta obrigatória de material genético de condenados por crimes violentos e o armazenamento no Banco Nacional de Perfis Genéticos. Em agosto do ano passado, foram ouvidas as manifestações das partes e de entidades admitidas como interessadas no processo. Agora, o julgamento será retomado com os votos dos ministros.

Na mesma data, estão previstos os processos que discutem a validade de uma lei do Amazonas que proíbe a participação de crianças e adolescentes em Paradas do Orgulho LGBTQIAPN+ no estado. A norma ainda estabelece multa de até R$ 10 mil por hora de exposição dos menores de idade ao ambiente sem autorização judicial.

Também consta na pauta a discussão sobre a aplicação imediata ou não da aposentadoria obrigatória aos empregados públicos que completarem 75 anos. A norma voltada aos que trabalham em consórcios públicos, empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias foi estabelecida pela Reforma da Previdência de 2019.

No dia 18, o Supremo julga dois processos ligados à compra de imóveis rurais por estrangeiros
No dia 18, o Supremo julga dois processos ligados à compra de imóveis rurais por estrangeiros

Ainda no dia 4, o Supremo analisa uma ação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) que pede que a perda de mandato por infidelidade partidária também seja aplicada a cargos majoritários como presidente, governador, prefeito e senador que se desfiliem, sem justa causa, do partido pelo qual foram eleitos.

No dia 11, o suposto monitoramento de redes sociais de jornalistas e parlamentares pelo governo de Jair Bolsonaro estará na pauta. A ação, ajuizada em 2020 pelo Partido Verde, aponta a existência de uma vigilância de parlamentares e jornalistas pela Secretaria de Governo e pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, à época, para a produção de relatórios. O julgamento em sessão virtual foi suspenso após o pedido de destaque do ministro Nunes Marques e será reiniciado em sessão presencial.

Na mesma sessão, está previsto o julgamento da ADI 7419, em que o partido Rede Sustentabilidade e a Federação Nacional das Associações Quilombolas (Fenaq) questionam a anistia a partidos políticos que não preencheram cotas raciais e de gênero em eleições anteriores a 2022, bem como não destinaram valores mínimos às cotas em campanha eleitorais.

No dia 18, o Supremo julga dois processos ligados à compra de imóveis rurais por estrangeiros. Em um deles, a Sociedade Rural Brasileira questiona as restrições impostas a empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. No outro, a União e o Incra pedem a anulação de um parecer que, em São Paulo, dispensou cartórios de aplicar essas limitações.

Primeira sessão de julgamentos do ano ocorre no dia 4 de fevereiro
Primeira sessão de julgamentos do ano ocorre no dia 4 de fevereiro

No mesmo dia, os ministros também analisam uma lei de Rondônia que retira incentivos fiscais de empresas do agronegócio que aderirem a acordos ambientais para limitar a expansão da atividade em áreas sem proteção legal específica.

No dia 19, a previsão é de retomada do julgamento que questiona se a proibição ao nepotismo abrange a nomeação de parentes para cargos políticos, como os de secretário municipal, estadual ou de ministro de Estado. No caso dos autos, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo declarou a inconstitucionalidade da lei do Município de Tupã (SP) que permitia a nomeação de parentes até terceiro grau, consanguíneos ou afins para cargo de secretário municipal.

Na mesma sessão, o Plenário deve retomar o julgamento que analisa a validade da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) da Paraíba para o exercício de 2026, em relação a emendas parlamentares e reajuste das propostas orçamentárias.

Já no dia 25, a Corte avalia leis de Mato Grosso e do Rio de Janeiro que autorizam o pagamento de honorários a procuradores, além de uma norma de Santa Catarina que prevê indenizações a procuradores e auditores pelo uso de veículos próprios no exercício das funções.

 

 

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