4 de março de 2026
Politica

Ala do STF critica inquérito de Moraes para apurar vazamentos de Coaf e Receita; leia bastidores

BRASÍLIA – Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram nos bastidores a abertura de um inquérito para apurar eventuais vazamentos de dados de ministros da Corte. A investigação foi aberta de ofício por Alexandre de Moraes diante da suspeita que a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgaram de forma indevida informações sigilosas.

Os dados divulgados referem-se à ligação de familiares de ministros com o Banco Master. A advogada Viviane de Moraes, casada com Alexandre de Moraes, tem um contrato milionário com a instituição. Também foi revelado em reportagens que empresas ligadas a irmãos de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado aos negócios do Master.

Ministros do STF se incomodaram com abertura de inquérito para investigar órgãos de controle do governo
Ministros do STF se incomodaram com abertura de inquérito para investigar órgãos de controle do governo

Em caráter reservado, um ministro da Corte leu a abertura do novo inquérito como tentativa de pressão a órgãos de controle e uma forma de tentar impedir o que as investigações avancem no sentido de atingir integrantes do tribunal. Para esse ministro, a medida só receberia apoio de colegas com envolvimento com o caso.

Um outro integrante do STF considera que a abertura do inquérito gera incômodo na relação do tribunal com os órgãos de fiscalização do governo.

No tribunal, há também quem elogie a apuração para descobrir se houve vazamento. Reservadamente, outro ministro ponderou que, se há a dúvida, o melhor é que ela seja esclarecida. E que isso não prejudica as investigações de outros órgãos às fraudes do Master.

Em dezembro, Toffoli causou indisposição com órgãos de fiscalização do governo quando determinou o interrogatório do diretor do Banco Central Airton de Aquino no mesmo dia do depoimento de investigados – entre eles, o dono do Master, Daniel Vorcaro. Na autarquia, a leitura foi de que o ministro teria imposto um constrangimento a um técnico responsável pela apuração da fraude.

A abertura do inquérito por Moraes foi noticiada primeiro peloPoder 360e confirmada pelo Estadão. A reportagem apurou que a Receita Federal, vinculada ao Ministério da Fazenda, e o Coaf, que está na alçada da Polícia Federal, foram notificados nesta quarta-feira. Procurados oficialmente, STF, Receita e Coaf não se manifestaram.

Moraes tomou a atitude como presidente interino do STF. Ele assumiu o plantão da Corte na segunda-feira, 12. O tribunal retoma suas atividades em fevereiro.

A abertura da investigação não foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), como é a praxe no tribunal. Integrante da PGR informou que o órgão vai acompanhar a apuração.

Em 2019, o STF instaurou um outro inquérito para apurar ataques a ministros da Corte. Batizado de o inquérito das fake news, a investigação até hoje não foi concluída e não tem data para acabar.

Como mostrou o Estadão, ministros do STF admitiram que o encerramento do inquérito não está nos planos do relator Alexandre de Moraes. Ministros próximos a Moraes dizem que o objetivo de não se concluir o caso agora é ter um instrumento à mão para apurar e combater eventuais novos ataques à Corte, às instituições e à democracia. Questionado sobre o assunto por meio da assessoria de imprensa, o ministro não se manifestou.

 

 

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