Bastidores: Moraes diz que resistência de Bolsonaro à Papudinha só se explica pelo estigma do local
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de transferir Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, foi interpretada por aliados do ex-presidente como uma forma de humilhá-lo. Moraes disse a interlocutores nos últimos dias, porém, que nunca entendeu por que Bolsonaro não queria ir para lá, uma vez que as instalações são muito melhores.
A portas fechadas, o magistrado avaliou que a resistência só podia ser por causa do estigma associado ao Complexo Penitenciário da Papuda, que abriga criminosos condenados por tráfico de drogas e de armas, formação de quadrilha, assassinatos e terrorismo. A unidade para onde o ex-presidente foi levado, no entanto, tem área total de 64,83 m² e espaço para aparelhos de fisioterapia, como esteira e bicicleta.
Em sua decisão, Moraes criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que o acusou de manter seu pai em um “cativeiro” e reclamou do barulho do ar condicionado na sala de Estado Maior. “Pasmem”, escreveu Moraes, ao mencionar as queixas. O ministro destacou que, “diferentemente dos 384.586 presos em regime fechado”, não havia superlotação no local, mas, sim, exclusividade.
Aliado de Bolsonaro, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que Moraes “usa a caneta como cassetete” e só quer espezinhar o ex-presidente. Para o deputado, o magistrado é o representante do “autoritarismo de toga”. Nikolas Ferreira (PL-MG) admitiu, por sua vez, que, “aparentemente”, Bolsonaro ficará preso em um espaço melhor e sem barulho. “Mas a pergunta ainda continua: por que não enviá-lo para casa?”
O presidente Lula não comentou a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, mas no Palácio do Planalto houve comemoração. “Aqui se faz, aqui se paga”, ironizou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Junto com o comentário, Boulos publicou um vídeo que mostra Bolsonaro comemorando a prisão de Lula, em abril de 2018.

