Caso Master: MP diz que fundo de pensão de servidores fez investimentos milionários sem base técnica
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirmou que o fundo de pensão dos servidores municipais de Cajamar (SP) fez investimentos milionários no Banco Master sem estudos técnicos e de forma “açodada”. Como mostrou o Estadão/Broadcast, o instituto levou apenas seis dias para deliberar, autorizar e executar a ordem de resgate que levou o fundo de pensão a aplicar em letras financeiras do Master. Ao todo, o instituto da cidade da região metropolitana de São Paulo com 98 mil habitantes aplicou R$ 87 milhões na empresa que foi liquidada pelo Banco Central e é investigada pela Polícia Federal.
O parecer do MPSP foi anexado a um processo no Tribunal de Justiça de São Paulo que pede a anulação dos investimentos feitos no Master pelo Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC). A ação é movida contra integrantes do instituto público, o Master e Daniel Vorcaro, dono do banco. A Corte abriu prazo para os citados apresentarem defesa.
Procurados, o Master e Vorcaro não comentaram. O IPSSC não respondeu. O espaço segue aberto. No mês passado, a entidade afirmou ao Estadão que “todos os ritos foram rigorosamente seguidos” nas aplicações do Banco Master.
‘Decisões foram tomadas de forma açodada’
“As decisões foram tomadas de forma açodada (precipitada) — apenas 6 dias após reunião com representantes do banco — com resgate precipitado de recursos de fundo sólido da Caixa Econômica Federal, sem estudos técnicos aprofundados, análise de rating atualizado ou due diligence (diligência prévia) adequada”, escreveu a promotora Ana Carolina Kamada no último dia 19, destacando a “gravidade dos fatos”.
De acordo com a representante do MPSP, na época das aplicações, entre outubro de 2023 e março de 2024, o Master e Vorcaro já eram alvo de “investigações criminais, notícias públicas sobre irregularidades e questionamentos de órgãos reguladores”.
A promotora ainda ressaltou que a rentabilidade ofertada pelo Master era desproporcional ao mercado. “‘Red flag’ (bandeira vermelha) clássico em operações de risco elevado”, continuou Kamada.
Ministério Público de Contas também cobrou explicações
As compras de letras financeiras do Master pelo fundo de Cajamar, assim como as de outros quatro institutos municipais de previdência de São Paulo, entraram na mira do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo. Em abril passado, o órgão cobrou explicações sobre o processo que levou as entidades a escolherem o investimento no Master.
Como informou o Estadão/Broadcast, 18 fundos de pensão de Estados e municípios aplicaram R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do Banco Master e estão sob risco de perdas, uma vez que os títulos não têm cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

