23 de janeiro de 2026
Politica

Senado acumula 72 pedidos de impeachment contra ministros do STF; Moraes lidera lista com 41

Com o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli protocolado nesta quarta-feira, 14, pelos senadores Magno Malta (PL-ES), Damares Alves (Republicanos-DF) e Eduardo Girão (Novo-CE), o total de representações por afastamento de ministros da Corte chegou a 72, considerando apenas os requerimentos apresentados contra os atuais integrantes do Supremo.

O recordista em pedidos de impeachment individuais é o ministro Alexandre de Moraes, que concentra 41 requerimentos para que seja deposto do cargo. Depois dele, o decano Gilmar Mendes soma nove pedidos; o “recém-chegado” Flávio Dino já tem seis; Dias Toffoli, quatro; Cármen Lúcia, três; e Edson Fachin e Luiz Fux, um cada.

Plenário do STF, cujos ministros são alvo de 72 pedidos de impeachment protocolados no Senado.
Plenário do STF, cujos ministros são alvo de 72 pedidos de impeachment protocolados no Senado.

Entre esses requerimentos, há dois que não mencionam o nome de ministros, apenas pedem o impeachment de ministros da Corte, ou seja, se estendendo aos 11 integrantes.

Há cinco pedidos que pedem o impeachment em grupo de alguns ministros que já saíram da Corte, como Rosa Weber e Luís Roberto Barroso, mas incluem Cristiano Zanin, André Mendonça e Nunes Marques, além de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e outros dos atuais ministros.

Em dezembro, três pedidos foram protocolados contra Gilmar Mendes, sendo dois deles por cidadãos e um pelo deputado federal Bibo Nunes (PL-RS). Na ocasião, o decano havia concedido liminar que restringia à Procuradoria-Geral da República (PGR) a iniciativa para apresentar pedido de impeachment contra ministros, decisão que teve forte reação de parlamentares. Dias depois, Gilmar recuou parcialmente: suspendeu o trecho que limitava os pedidos de impeachment à PGR, mas manteve a exigência de quórum mínimo de dois terços do Senado para aprovar o afastamento, antes decidido por maioria simples.

A decisão foi interpretada por parlamentares como uma medida de autoproteção da Corte, num momento em que o Partido Liberal (PL), do ex-presidente Jair Bolsonaro, articula ampliar sua bancada no Senado e intensifica a estratégia de pressão sobre o Supremo, com o protocolo sucessivo de pedidos de impeachment contra ministros.

Nunca houve impeachment de juiz do STF, e só um foi afastado

Embora previsto na legislação, o impeachment de ministros do STF nunca foi consumado. Em 134 anos, o Supremo só teve um integrante demovido do cargo por decisão do Legislativo. Em 1894, o Senado negou a indicação de Cândido Barata Ribeiro para uma das cadeiras na Corte. Os senadores avaliaram que Barata Ribeiro, que era médico, não possuía o “notável saber” previsto na Constituição para o exercício do cargo de juiz da Suprema Corte. A primeira Constituição da República não continha a expressão “notável saber jurídico”. A expressão do texto era apenas “notável saber”.

A negativa da indicação, na prática, foi um afastamento. Segundo o rito atual, um indicado ao STF é sabatinado pelo Senado antes de ser empossado no cargo. De acordo com a Constituição vigente nos primeiros anos da República, o indicado podia exercer o posto antes de ter o nome aprovado pelos senadores.

O presidente Floriano Peixoto indicou Barata Ribeiro ao STF em outubro de 1893, durante um recesso parlamentar, o que impediu que a sabatina com o médico fosse realizada de imediato. O médico foi ministro do STF por 11 meses até ter a indicação barrada no Senado.

 

 

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