24 de janeiro de 2026
Politica

Master: senadores e deputados pedem suspeição de Toffoli por elo de irmãos com cunhado de Vorcaro

BRASÍLIA – A revelação de que o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, fez aportes financeiros por meio de um fundo de investimentos no resort pertencente aos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli tem mobilizado deputados e senadores que defendem a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso no Congresso. Para esses parlamentares, o magistrado deveria se declarar impedido ou suspeito diante de um flagrante de conflito de interesses.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que assinou nesta semana um pedido de impeachment de Toffoli e defende a instalação de uma CPI, avalia que o ministro gozava do “crédito da dúvida” sobre a existência de conflito de interesses na sua atuação, mas que, agora, diante dos fatos revelados pelo Estadão, ele deveria se afastar da investigação. “Dá tempo de ele se declarar impedido ou suspeito, inclusive pela transparência das investigações”, afirmou.

O ministro Dias Toffoli é relator do inquérito que investiga o Banco Master.
O ministro Dias Toffoli é relator do inquérito que investiga o Banco Master.

A parlamentar afirma que, desde o início da tramitação do caso envolvendo o Banco Master no STF, tem questionado as atitudes de Toffoli, especialmente quando ele retirou da alçada da CPI do INSS as informações coletadas a partir da quebra de sigilo de Vorcaro e delegou à presidência do Senado a responsabilidade por esses dados.

“Essa decisão dele me causou muito espanto na época, mas eu pensei: ‘eu não estou entendendo a linha de investigação dele. Será que ele tem uma linha de investigação que não queria que muitos assessores da CPMI tivessem acesso a esses documentos para não vazar, nada?’. Eu achava que ele estava tendo zelo com a investigação, mas, agora, diante do que vocês estão revelando, é inconcebível ele continuar na investigação”, afirmou.

Ela e outros seis senadores integram um grupo de trabalho instalado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para acompanhar as investigações e apurações relacionadas a irregularidades atribuídas ao Banco Master.

O Estadão questionou o presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre como avalia a proximidade dos parentes de Toffoli com pessoas investigadas e presas no caso Master, mas ele disse não ter conhecimento sobre as revelações e que prefere aguardar a criação do plano de trabalho para não atrapalhar as atividades com avalições precoces. O parlamentar afirmou que divulgará em breve os primeiros passos das atividades do grupo.

Outro parlamentar que defende o afastamento de Toffoli do caso é o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que é o autor do pedido de instalação de CPI para investigar o caso. “É evidente que nós estamos diante de um caso que envolve muita gente de poder no nosso País, envolve várias instituições e Poderes, e nós já tínhamos uma suspeita muito grande do envolvimento do ministro Dias Toffoli. É tudo muito suspeito”, afirmou, citando as decisões recentes do magistrado no caso.

“Ele deveria ser impedido e suspeito. Ele não poderia estar fazendo isso”, afirmou. “Diante de um caso em que eles (ministros do STF) podem ser penalizados, eles vão tentar de tudo para se blindar. Eu não acredito que ele vá em momento algum arguir a sua suspeição. Nós temos que trabalhar por isso”, afirmou.

Jordy deixa claro que, uma vez instalada a CPI, a estratégia seria investigar os parentes dos ministros colateralmente envolvidos no caso, como Toffoli, por meio dos irmãos, e Alexandre de Moraes, cuja esposa possui um contrato de R$ 129 milhões para defender os interesses do Master na Justiça e em órgãos de controle. Uma CPI não tem competência para investigar ministros de tribunais de superiores.

O deputado traça como estratégia convocar os familiares desses ministros na condição de testemunhas por compreender que uma eventual convocação como investigados lhes garantiria um habeas corpus por parte de Toffoli na tentativa de blindar a exposição pública dessas figuras.

 

 

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