17 de janeiro de 2026
Politica

Veja imagem de ‘delegada do PCC’ sob custódia da Polícia após prisão com namorado da facção

Imagens às quais o Estadão teve acesso mostram a delegada Layla Lima Ayub, de 36 anos, sob custódia da Polícia Civil logo após ela ser presa na manhã desta sexta-feira, 16, em São Paulo, e expõem tatuagens no peito e no braço de seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, o ‘Dedel’, apontado como integrante do PCC, com símbolos associados à facção criminosa.

Delegada Layla Lima Ayub, de 36 anos, sob custódia da Polícia Civil logo após a prisão realizada na manhã desta sexta-feira, 16
Delegada Layla Lima Ayub, de 36 anos, sob custódia da Polícia Civil logo após a prisão realizada na manhã desta sexta-feira, 16

O Estadão busca contato com a defesa de Layla Ayub e Jardel Neto. O espaço está aberto.

Ao ser presa, Layla não negou que mantém ligação com a facção e admitiu que seu namorado, conhecido como ‘Dedel’, é integrante do PCC.

Layla aparece abatida, de braços cruzados, óculos de grau, cabelos presos, diferente das fotos publicadas em suas redes, onde ostenta o título de delagada da Polícia Civil e esbanja elegância com roupas finas.

As tatuagens de Jardel, registradas pela Polícia após o cumprimento da prisão, são apontadas pelos investigadores como indícios de que ele foi “batizado” pela facção criminosa. No braço esquerdo, ‘Dedel’ tem tatuada uma carpa voltada para cima, símbolo que, segundo a investigação, representa ascensão e respeito dentro da hierarquia do PCC.

Tatuagens de Jardel foram registradas pela Polícia após o cumprimento da prisão
Tatuagens de Jardel foram registradas pela Polícia após o cumprimento da prisão

A prisão de Layla e Jardel ocorreu no âmbito da Operação Serpens, deflagrada pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com o Gaeco do Pará.

Empossada em evento no Palácio dos Bandeirantes no dia 19 de dezembro, Layla foi detida na manhã desta sexta em uma pensão na zona Oeste da capital paulista. Em seguida, ela foi levada à Academia da Polícia Civil, onde mantinha pertences retidos em um armário, que serão recolhidos pelos investigadores para a coleta de novas provas.

Durante a abordagem, os investigadores apreenderam dois celulares e, logo após a prisão, Layla entregou voluntariamente um terceiro chip.

Jardel também tem tatuagens de um tigre e de um samurai
Jardel também tem tatuagens de um tigre e de um samurai

Na cerimônia de posse como delegada, que contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Layla foi acompanhada por “Dedel”, liderança do PCC na região Norte do País, segundo os investigadores.

Dos 535 aprovados no concurso do qual Layla participou, 525 tomaram posse na Academia de Polícia. Atualmente, 498 seguem em exercício, número que já considera a ausência da delagada do ‘PCC’ no estágio probatório da Polícia Civil, com duração de três anos. Investigadores destacam o que consideram uma ‘boa colocação’ da delegada no concurso, no 299º lugar.

A apuração afastou a hipótese de fraude no concurso para delegado da Polícia Civil de São Paulo. Segundo os investigadores, o caso reforça a avaliação de que integrantes do crime organizado contam com indivíduos altamente qualificados, descritos como “mentes brilhantes” por um investigador do caso.

Antes de ingressar na Polícia Civil de São Paulo, Layla atuou como policial militar no Espírito Santo e como advogada.

Segundo o Ministério Público, mesmo após assumir o cargo de delegada, ela teria exercido de forma irregular a advocacia. Um dos episódios citados na investigação ocorreu em 28 de dezembro, quando Layla teria participado de uma audiência de custódia, por videoconferência, na comarca de Marabá, no Pará, para defender um preso apontado como integrante do PCC.

Em livramento condicional por condenação por tráfico de drogas, Jardel teria descumprido determinações judiciais ao se deslocar para São Paulo sem autorização, segundo a investigação. Ele é um dos alvos dos mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça.

Imagens reunidas no inquérito mostram que Jardel acompanhou Layla na cerimônia de posse como delegada, realizada no Palácio dos Bandeirantes, em 19 de dezembro, evento que contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A investigação aponta ainda que Layla e Jardel passaram a residir juntos em São Paulo após a posse da delegada, período em que ela frequentava o curso de formação da carreira na Academia da Polícia Civil. Há também indícios de que o casal teria adquirido uma padaria na zona leste da capital paulista pouco depois da mudança para lavar dinheiro do crime organizado.

Outro ponto apurado é que Layla seria formalmente casada com um delegado da Polícia Civil do Pará, que atua na região de Marabá. A informação foi checada no curso das investigações abertas a partir de uma notícia-crime anônima encaminhada às autoridades.

A Justiça expediu sete mandados de busca e apreensão, cumpridos nas cidades de São Paulo e de Marabá, no sudeste do Pará, a 564 quilômetros de Belém, além de dois mandados de prisão temporária. As decisões foram proferidas pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado da capital e tiveram como alvos a delegada de Polícia investigada e Jardel, integrante do PCC.

 

 

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