Master: Toffoli resvala para o perigoso terreno da obstrução de Justiça, usando a própria Justiça
O ministro Dias Toffoli, relator do caso Master, resvala para um perigoso terreno usado por investigados: obstrução de justiça. No seu caso, usando a própria Justiça e a sua posição excepcional dentro dela. Sem consenso, o Supremo Tribunal Federal não sabe como reagir e não se ouve uma palavra do seu presidente, Edson Fachin, que está acuado.
O impedimento de Toffoli no caso Master é óbvio e cristalino, depois das revelações sobre sua amizade e o voo com advogado do grupo e agora as relações financeiras de seus irmãos com o braço operador e cunhado de Daniel Vorcaro, pastor Fabiano Zettel.

O ministro, porém, finge que não e acelera rumo ao precipício. Declarou sigilo total e voltou atrás. Tentou impedir a perícia de celulares e computadores apreendidos nas operações e também recuou, mas impondo os peritos de sua preferência, algo bastante inusitado. Por fim, reduziu o tempo para a PF tomar e confrontar depoimentos. A PF deve estar feliz da vida…
Nesse contexto, Fachin lança a ideia de um código de ética interno, que os colegas deixam para lá; Gilmar Mendes apresenta um projeto para dificultar o impeachment de ministros no Senado e tem de recuar; Alexandre de Moraes abre inquérito de ofício para investigar, não o Master, mas o Coaf e a Receita por eventuais vazamentos de dados sobre ele, Toffoli e suas famílias. Uma corrida sem rumo.
Toffoli confirma o velho ditado: o que começa errado vai errado até o fim. O seu erro original foi cair na irresponsabilidade do padrinho Lula de nomeá-lo para o Supremo, apesar de não ter a maturidade e as credenciais para um desafio dessa envergadura. Como alguém que levou bomba duas vezes em concurso para juiz vira ministro da mais alta Corte?
Deu no que deu. Na pior hora do Supremo, que evoluiu de líder da democracia para alvo no caso Master, quem é o pivô da crise? Dias Toffoli, o ministro que tropeçou nas próprias pernas (e no seu passado petista) durante os julgamentos do mensalão e da Lava Jato e carregou esse passivo para o terceiro mandato de Lula. A dívida lhe custa muito caro, por exemplo, tentando favorecer a JBS.
Desta vez, porém, Toffoli não está sob suspeita pelo pagamento da dívida com Lula, mas pela sua própria família, interesses, vínculos. Não faz o menor sentido, jurídico e ético, o ministro puxar o caso Master para o Supremo, se declarar relator e tomar, não uma, mas várias decisões que parecem ao distinto público moldadas para atrapalhar as investigações e proteger o Master e Daniel Vorcaro.
Quanto ao inquérito aberto por Alexandre de Moraes: Vazamento é como pimenta? Bacana no olho dos outros, mas no dos ministros do STF não pode? Com emendas e crise entre STF e Senado, vai ter pimenta para todo lado.
