24 de janeiro de 2026
Politica

Com avanço de Ciro Gomes, Camilo Santana ganha força para entrar na disputa pelo governo do Ceará

O nome do ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE), tem ganhado força para a disputa ao governo do Ceará em meio à rearticulação da oposição liderada por Ciro Gomes. O retorno do ex-presidenciável ao PSDB e a movimentação no campo da direita aprofundaram rompimentos entre aliados históricos e colocam em dúvida a reeleição do atual governador, Elmano de Freitas (PT-CE).

Ao Estadão, integrantes da oposição e do campo governista indicam que Elmano de Freitas ainda não conseguiu construir uma marca própria à frente do Executivo. Segundo esses interlocutores, o governador também apresenta fragilidades no debate sobre segurança pública.

Procurados pelo Estadão, Ciro Gomes, Elmano de Feitas e Camilo Santana não se manifestaram até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

Antes aliados, Ciro Gomes (esq.) e Camilo Santana (dir.) agora ocupam lados opostos no tabuleiro político do Ceará
Antes aliados, Ciro Gomes (esq.) e Camilo Santana (dir.) agora ocupam lados opostos no tabuleiro político do Ceará

Esta interpretação é reforçada pelo levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado em dezembro, que indica Camilo Santana na liderança das intenções de voto, com 45%, seguido por Ciro Gomes, com 36,8%. Entre aliados do governo, o desempenho corrobora a avaliação de que o ministro é, atualmente, o nome mais competitivo do campo governista diante da reorganização da direita no Estado.

Em um cenário de confronto direto entre Elmano de Freitas e Ciro Gomes, o ex-presidenciável assume a liderança da disputa com 46% das intenções de voto, contra 33,2% do petista.

Para Paula Vieira, cientista política e pesquisadora do laboratório Lepem da Universidade Federal do Ceará (UFC), o atual cenário é consequência direta do que aconteceu em 2022, quando Ciro Gomes rompeu com o PT no segundo turno da eleição estadual. A especialista pontua que esse episódio acelerou fissuras que, atualmente, se manifestam de forma mais explícita no tabuleiro eleitoral.

“A fragmentação da base aliada e o deslocamento de Ciro para a oposição criaram um novo eixo de forças no Estado. O que vemos, hoje, é a cristalização de um campo oposicionista que busca explorar as lacunas deixadas pela gestão petista, especialmente em áreas críticas como a segurança pública”, afirmou Paula.

Racha político e novo desenho eleitoral no Ceará

Embora Ciro Gomes ainda não tenha confirmado publicamente qual cargo irá disputar em 2026, o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, avalia que o ex-governador foi levado ao partido para estar na cabeça de chapa do estado.

Esse entendimento reúne lideranças como o ex-senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), responsável por atrair Ciro ao partido, o deputado federal Capitão Wagner (União Brasil-CE) e o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil-CE). Eles passaram a defender a construção de uma candidatura única para unificar o campo oposicionista.

Sob condição de anonimato, um assessor próximo à família Ferreira Gomes afirma considerar factível uma mudança no plano governista. Esse cenário será possível se Freitas abrir mão da tentativa de reeleição para viabilizar a candidatura de Camilo Santana ao Palácio da Abolição, caso a pressão eleitoral se consolide.

Elmano de Freitas comanda um dos apenas quatro governos estaduais do PT no País
Elmano de Freitas comanda um dos apenas quatro governos estaduais do PT no País

Na avaliação de Paula Vieira, a força do ex-governador vai além do PT. “No Ceará, Camilo construiu um capital político próprio, que muitos já chamam de ‘camilismo’. Esse movimento é sustentado por alianças regionais e por uma imagem pública positiva”, reconheceu. A pesquisadora aponta que o ministro conseguiu se descolar do petismo mais ideológico, o que ampliou a capacidade de diálogo com setores de centro e, até mesmo, da centro-direita.

Camilo Santana tem descartado uma possível candidatura. Mas em entrevista ao jornal O Globo, reconheceu que isso pode mudar. “Não sou candidato. O Elmano tem sido um grande governador. Ele tem direito à reeleição e está bem avaliado. Mas claro que política é dinâmica. O projeto que está em curso no Ceará tem avançado, com muita dificuldade em áreas como a segurança pública, que é um problema no Brasil inteiro. Mas tem avançado na educação, saúde e geração de emprego”, afirmou o ministro.

Para Capitão Wagner, a influência de Camilo Santana sobre o atual Executivo estadual é, ao mesmo tempo, a sustentação e o desgaste da gestão Elmano de Freitas. Wagner argumenta que o atual governador não conseguiu consolidar autonomia política.

“Hoje, quem manda de fato é o Camilo Santana; o Elmano é o ‘governador de direito’. O ministro é quem escolhe desde o secretário até o presidente da Assembleia Legislativa. O candidato é quem dita as regras no estado, e eu acredito que essa falta de autonomia é um dos principais fatores de desgaste do atual governo”, disse Wagner.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *