Banco Central aponta déficit de 51% de servidores no órgão
O Banco Central (BC) tem um déficit de 51% de servidores e conta atualmente com 3,2 mil funcionários, segundo dados do órgão. A falta de pessoal apontada pela autoridade monetária acontece em um momento de pressão sobre o BC, que é alvo de uma inspeção do Tribunal de Contas da União (TCU) por causa da liquidação do Banco Master.
Nessa segunda-feira, 19, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que o BC ganhe mais uma atribuição: passe a regular e fiscalizar fundos de investimento. Hoje, essa função é da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ligada à Fazenda.
O BC informou à Coluna do Estadão que o déficit atual é de 3.303 servidores. Esse cálculo considera o efetivo total de 6.470 funcionários previsto na lei que define a carreira do BC, sancionada em 1998.
Servidores do BC em janeiro de 2026
- 3.167 servidores ativos;
- 350 servidores podem se aposentar a qualquer momento;
- Déficit de 3.303 servidores.

Presidente do BC citou falta de pessoal ao ceder auditor para CPI
Como mostrou a Coluna, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, citou a falta de pessoal no órgão ao ceder um auditor para auxiliar a CPI do Crime Organizado no Senado. O técnico do BC atuará no colegiado, mas também na autoridade monetária para “maximizar a eficiência dos trabalhos”.
Em ofício enviado ao presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), a Assessoria Parlamentar do BC citou especificamente a decisão de Galípolo de ceder o servidor, mesmo com a “carência de recursos humanos” na autoridade monetária.
“Apesar das dificuldades relativas à carência de recursos humanos necessários para a execução das atividades afetas a esta autarquia”, afirmou o BC.
No documento “Relatório Integrado do Banco Central 2024”, o mais recente publicado, o BC afirmou que a entrada de novos servidores em 2025, após mais de uma década sem concursos, não resolveria a falta de servidores. “O BC continuará enfrentando grandes desafios na gestão de sua força de trabalho”.
Representante de entidade defende foco na fiscalização e no Pix
A presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) no Distrito Federal, Edna Velho, afirma que o órgão receberá 170 novos funcionários na próxima sexta-feira, 23.
Servidora há 12 anos, ela defende que a prioridade seja alocá-los em duas áreas principais: fiscalização, que envolve o caso Master, e a gestão do Pix. “São os setores que mais demandam os técnicos”, diz.
