Carro oficial e motorista: o conforto milionário das autoridades em Brasília
BRASÍLIA – É praxe entre autoridades dos três Poderes o uso de carros oficiais para deslocamento em Brasília. Esses veículos são, geralmente, carros luxuosos e confortáveis que geram gastos elevados para a máquina pública seja com aluguéis, aquisições, manutenção ou contratação de condutores para essas frotas.
No cenário federal, passa das centenas o número de pessoas com direito a transporte em veículo oficial para deslocamento a trabalho, o que por vezes inclui ida e volta para casa custeadas com dinheiro público.
Recentemente, o Senado fechou um contrato por cinco anos, no valor de R$ 47 milhões, com uma empresa de aluguel de carros para oferecer transporte executivo aos senadores. O valor equivale a mais de R$ 783 mil por mês para 79 veículos da marca Chevrolet modelo Equinox.

Existe também outro contrato em vigência no Senado, no valor de R$ 758 mil por dois anos, que fornece 2 carros blindados modelo Toyota SW4 exclusivamente para a Presidência do Senado. Um é para o deslocamento do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP); o outro, para o transporte da equipe de seguranças dele.
Mas para dirigir esses veículos são necessários motoristas, o que eleva ainda mais a conta. São outros R$ 6,5 milhões para essa despesa.
Diferentemente do Senado, a Câmara não oferece veículos para todos os 513 deputados. Ainda assim, o órgão conta com um número expressivo de carros, incluindo modelos blindados, para atender principalmente aos membros da Mesa Diretora da Casa.
A Câmara vai desembolsar R$ 21 milhões em um contrato de 2 anos, que termina em 2027, para ter ao seu dispor 73 carros alugados de vários modelos para diferentes propósitos. A lista inclui, por exemplo, 28 carros modelos SUV para serem utilizados por deputados e um SUV adicional com blindagem para o presidente da Casa. O contrato também prevê viaturas para a polícia legislativa, vans e até caminhão.
Assim como o Senado, a Câmara tem outro contrato no valor de R$ 34 milhões até 2027 para ter ao seu dispor motoristas.
O cenário não é muito diferente no Judiciário, onde as autoridades recebem os salários mais próximos, iguais e por vezes até acima do teto do funcionalismo público.
O Supremo Tribunal Federal firmou nos últimos sete anos 12 contratos de aquisição de veículos, em sua maioria sedan para representação institucional, totalizando R$ 13 milhões. Um desses contratos, no valor de R$ 2,75 milhões, previa a aquisição de 14 carros blindados modelo sedan.
Dados divulgados pelo STF em setembro do ano passado mostram que a frota naquele mês era de 97 veículos. Em 2025, o STF gastou mais R$ 2,3 milhões apenas com a condução desses veículos e, ao todo, entre gastos com combustível, lavagem e demais serviços foram mais de R$ 3,7 milhões desembolsados.
Já o governo federal, cuja estrutura é muito maior do que a do Congresso e do STF, disponibiliza menos informações. Cada pasta pode fazer o seu próprio processo de aquisição ou aluguel de veículos, conforme julgar necessário.
Segundo dados divulgados pela Secretaria-Geral da Presidência via Lei de Acesso à Informação em 2017, a Presidência da República contava com 306 veículos oficiais, sendo 172 da Secretaria de Administração, 110 do Gabinete de Segurança Institucional e 24 veículos em comodato.
Entre tantos valores e informações, vale destacar que não funciona assim em todo lugar. Em países como Suécia e Noruega, apenas um número seleto de autoridades têm direito à veículos oficiais à sua disposição.
Informações reunidas pela BBC em 2019 mostram que o Parlamento da Suécia contava com apenas carros de representação institucional, que ficavam disponíveis somente ao presidente e seus três vice-presidentes. Já no Executivo, ministros de Estado podem requisitar veículos em situações excepcionais, quando há “fortes razões”. No País nórdico, somente o primeiro-ministro tem direito a contar com um veículo em caráter permanente.
Em 2013, a Rede Nossa São Paulo publicou um estudo comparando o uso de carros oficiais por autoridades paulistas em relação a políticos no resto do mundo. O documento mostra, por exemplo, que na Holanda os parlamentares não têm direito a carros oficiais e precisam arcar com as despesas dos poucos veículos disponíveis quando forem fazer uso.
Já na Noruega, apenas 20 veículos estão disponíveis para todo o governo e apenas o primeiro-ministro conta com um carro de uso exclusivo.
