24 de janeiro de 2026
Politica

Como reação de três ministros do STF ameaça aprovação de código de ética de Fachin

Edson Fachin está diante de um dilema. Se liberar logo para votação a proposta de um código de ética para o Supremo Tribunal Federal (STF), tem chance de conquistar a maioria no plenário. Fincará uma bandeira digna em sua gestão, mas o custo da vitória para ele pode ser maior que o benefício.

Aos olhos da opinião pública, a aprovação de um código de conduta pode ser interpretada como censura à participação de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no caso do Banco Master. Funcionaria como uma espécie de confissão da existência de ministros do Supremo descomprometidos com a ética.

O presidente do STF, Edson Fachin, conversa com colegas sobre um código de ética
O presidente do STF, Edson Fachin, conversa com colegas sobre um código de ética

Se o próprio tribunal declarar que precisa de um parâmetro para frear o comportamento supostamente abusivo de ministros, estará abrindo as portas para o Senado dinamitar dezenas de pedidos de impeachment contra integrantes da Corte.

Em outra frente, a discussão pública sobre um código de ética para o STF também pode pavimentar o caminho para a CPI do Banco Master, articulada pela oposição ao governo Lula.

Internamente, Fachin terá ainda mais dificuldade para comandar o tribunal se o código for aprovado. Até setembro de 2027, quando o mandato dele chegar ao fim, terá de enfrentar três ministros politicamente articulados jogando abertamente contra ele.

Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que são contrários à proposta, reúnem poderes suficientes para causar desassossego e até inviabilizar a gestão de Fachin.

O placar de bastidor do STF contabiliza ao menos cinco prováveis votos a favor do código de ética: além de Fachin, Cármen Lúcia, Kássio Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux.

Interlocutores afirmam que Flávio Dino e Cristiano Zanin simpatizam com a ideia, mas sabem que a aprovação do código agora seria uma afronta a Moraes e Toffoli. Fachin não desistiu de arregimentar o voto da dupla. Tanto que foi até São Luís para conversar com Dino.

Embora esteja comprometido com o projeto, Fachin caminha por uma linha tênue para não provocar a cizânia entre os colegas. Apesar de ter conversado com todos os ministros sobre o código, não falou das condutas de Toffoli ou de Moraes. Interrompeu as férias para tentar apagar o incêndio, mas manteve Moraes no comando do recesso do tribunal até o fim do mês.

Dino e Zanin são aliados de Moraes no tribunal. A condução de Toffoli às investigações do Banco Master assusta mais quem está de fora do que os ministros do tribunal. Embora seja criticado internamente, o relator também tem o apoio de alguns colegas. Não será tão fácil, portanto, queimá-lo em praça pública com a aprovação do código.

 

 

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