23 de janeiro de 2026
Politica

Governador do DF diz que há interessados em carteiras do BRB que eram do Master

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), minimizou a crise enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB) após negócios firmados com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central (BC) e alvo da Polícia Federal (PF). Segundo Ibaneis, as estimativas de rombo bilionário no banco estatal são “especulação” e há interessados nos ativos do Master comprados pelo BRB. Especialistas defendem cautela com o caso.

“Temos negociações internas de fundos interessados nas carteiras que foram do Master”, disse o governador à Coluna do Estadão, acrescentando que o BRB contratou uma auditoria para apurar o caso Master.

Procurado, o Banco de Brasília afirmou que há “interessados em comprar ativos do BRB recebidos junto ao Banco Master”, sem dar detalhes. “O BRB comunicará as vendas ao mercado, quando assim for aplicável a comunicação”, completou.

‘É preciso aguardar’, diz economista

Apesar da declaração do governador, o economista Gustavo Bertotti, head de renda variável da Fami Capital, defende cautela: “É preciso aguardar e ter detalhes dos interessados e da qualidade dessas carteiras. Há uma investigação judicial em curso”.

Para o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu, ainda não é possível saber as características dessas carteiras vendidas pelo Master ao BRB. “Se for um crédito fictício, fraudado, ninguém vai querer comprar”, avaliou.

Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha
Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha

Rombo é estimado em R$ 4 bilhões

O rombo do BRB é estimado em R$ 4 bilhões. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal apontaram indícios de que o Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes ao banco estatal.

Como revelou a Coluna, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou em conversas recentes que a gestão local dê um socorro financeiro ao BRB, que pode sofrer uma intervenção do BC.

Investigação: troca de créditos entre BRB e Master aconteceu por ‘pura camaradagem’

Segundo a decisão judicial que autorizou a operação da PF contra o Master em novembro, é consistente e razoável considerar a hipótese de que o BRB tinha interesse em emprestar recursos ao Master, mas foi impedido por limites de exposição.

Ainda de acordo com o documento, “a troca de créditos entre BRB e Master ocorreu por pura camaradagem”, à margem das formalidades contratuais, numa tentativa de minimizar ou contornar a fiscalização sobre as operações.

 

 

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