Eduardo Paes e Cláudio Castro fazem acordo para eleição no Rio
Em lados opostos na política do Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o governador do Estado, Cláudio Castro (PL), costuram um acordo que pode beneficiar os dois nas eleições de outubro.
Sem candidato competitivo à direita, e diante do favoritismo de Paes para o governo, os atuais donos das canetas no Rio querem se ajudar: Castro pode focar na eleição para o Senado, sem a resistência do prefeito na capital, e Paes recebe em troca a ajuda da máquina estadual para aumentar sua capilaridade no interior e na Baixada Fluminense, que tem alguns dos maiores colégios eleitorais do Rio.
Mandato-tampão no Rio
Castro, assim como Paes, precisa deixar o cargo até abril para disputar as eleições, mas a saída do governador vai gerar uma situação inusitada, a realização de eleições indiretas para um mandato-tampão. Isso porque o Rio está sem vice-governador desde maio do ano passado, quando Thiago Pampolha saiu para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.
Pela lei estadual, na ausência do governador e do vice, assume o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), atualmente afastado do cargo por decisão do STF, após operação da Polícia Federal. Caberá então ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, assumir interinamente o governo apenas para realizar a eleição indireta.
O nome defendido por Castro para o mandato-tampão agrada, e muito, a Eduardo Paes. É o do secretário da Casa Civil do Estado, Nicola Miccione, que se filiou recentemente ao PL.
Ele é apontado como o candidato perfeito porque é leal a Cláudio Castro, não teria pretensões de concorrer contra Paes e ainda pode usar a máquina estadual para impulsionar tanto Castro, quanto Paes. Nos bastidores, o acordo é apoiado até por integrantes do centrão, entre eles o do deputado Doutor Luizinho, presidente do PP no Rio.
“O Nicola passa segurança para o Cláudio, é do círculo dele, e não atrapalha o Eduardo porque não é um candidato competitivo. Os dois querem a mesma coisa, a máquina do governo trabalhando por eles”, afirma um experiente dirigente político do Rio, que diz ainda que o governador “só pensa” no Senado:
“Cláudio não está nem aí para a sucessão do governo, só quer ter segurança que disputa a eleição para o Senado com todos os instrumentos do Estado na mão e sem a oposição do Eduardo”.
‘Vida fácil’ de Eduardo Paes
Pré-candidato ao governo do Rio e ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB) admitiu, à Coluna do Estadão, o favoritismo de Paes, mas garante que vai mesmo concorrer. “A sorte do Eduardo é que eu sou candidato e ele já tem pra quem perder, porque senão ele teria uma vida muito fácil”, afirmou.
Reis chegou a ser cotado para vice na chapa de Eduardo Paes, por seu grande capital político na Baixada Fluminense, mas foi estimulado a lançar candidatura própria. O seu grupo político também apoia a eleição de Nicola Miccione para o mandato-tampão no Rio.
Um dos nomes mais cotados para vice na chapa de Paes é o de Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, que também traz os votos da Baixada que o prefeito do Rio precisa.

