Lula conversa com aliados para formar palanques fortes e garantir mais espaço no Senado
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem tentado convencer alguns de seus ministros mais próximos a se tornarem candidatos competitivos aos governos estaduais e ao Senado. Nos últimos dias, as conversas foram com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Lula pediu e Gleisi aceitou mudar seus planos para disputar uma cadeira no Senado. A ministra planejava, inicialmente, ser candidata à reeleição na Câmara. O atual diretor-geral de Itaipu, Ênio Verri, seria o candidato ao Senado pelo PT no Estado. Lula preferiu que Gleisi fosse a candidata, visando ter uma concorrente com mais chances de vencer a disputa.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais deve participar da chapa do pré-candidato ao governo do Paraná, Requião Filho (PDT). Não há definição, por ora, sobre a segunda vaga na chapa para a disputa do Senado, nem em relação às suplências ou à vice.
A confirmação da pré-candidatura da ministra foi feita por ela mesma em rede social, posando para foto ao lado de Lula.
Com Lula, pelo Paraná e pelo Brasil! 🤝
Em conversa com o presidente @LulaOficial, com o @enioverri e o @edinhosilva, presidente do PT, reafirmei o meu compromisso de fortalecer, no Paraná, o projeto liderado pelo presidente Lula. Sou pré-candidata ao Senado Federal! pic.twitter.com/rLb8ewc2mq
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) January 21, 2026
No caso de Haddad, ainda não houve uma decisão final. Lula quer que o ministro seja candidato e já falou sobre isso publicamente no fim do ano, em entrevista durante um café de fim de ano com jornalistas. Inicialmente, a vontade do presidente era de que ele fosse candidato ao Senado.
Diante da falta de outro candidato competitivo para o governo paulista, no entanto, o nome de Haddad se tornou a principal opção para a disputa. Lula tenta convencê-lo a aceitar a missão, mas o ministro ainda não tomou uma decisão.
Há outros casos de ministros que desenham suas candidaturas junto ao presidente da República. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, recebeu convites para trocar de partido. Ela está no MDB e foi convidada pelo PSB. Lula também conversou com ela para que seja candidata ao Senado. O Estado pelo qual se candidatará, porém, ainda não está definido. Pode ser o Mato Grosso do Sul, por onde fez sua carreira política, ou São Paulo.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também negocia com outros partidos para ser candidata ao Senado. Tem conversas com o PT e com o PSOL, sendo mais provável que migre para a legenda à qual foi filiada por décadas até 2009. Também é um nome citado para a disputa pelo Senado em São Paulo, Estado por onde foi eleita deputada federal nas eleições de 2022.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, já era um nome ventilado para a disputa do Senado pela Bahia e afirmou nesta quarta-feira, 21, em entrevista à Rádio Tribus, de Maracás (BA), que negocia com Lula a candidatura e se colocou à disposição no pleito. O PT deve ter uma chapa pura para a disputa pelo Senado, com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), concorrendo à outra cadeira. Por fora, Ângelo Coronel (PSD) quer disputar a reeleição com o apoio de Lula, com base na antiga aliança entre os petistas e o grupo do senador Otto Alencar (PSD).
Outro nome desejado pelo PT ao Senado é o de Benedita da Silva (RJ). Deputada federal experiente e ex-governadora, Benedita cogitava não se candidatar em 2026, mas petistas dão como certa a sua participação na corrida para uma vaga de senadora. A negociação do PT é para que ela seja uma das candidatas na chapa do prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo do Estado.
O PT também conta com a candidatura de Fátima Bezerra para o Senado, após dois mandatos como governadora no Rio Grande do Norte. A direção potiguar do partido já confirmou o seu nome para a disputa.
De acordo com relatos à reportagem, o PT está mais preocupado com a eleição de senadores do que de deputados. Segundo integrantes da cúpula do PT, essa preocupação levou Lula a designar Gleisi para concorrer ao Senado. A decisão do presidente da República é descrita como “quase imposição”.
Há avaliações no partido de que o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, representa um “perigo real” no sentido de ampliar a sua bancada no Senado, de olho no projeto de aprovar um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Desde o ano passado, o PL vem planejando seus candidatos. O senador Rogério Marinho (PL-RN) era quem estava à frente dessas negociações, junto de Bolsonaro.
Diante desse diagnóstico, diretores do PT veem dificuldades para lançar candidatos mais jovens e de primeira viagem. Dessa forma, a perspectiva é de que a eleição deste ano para a legenda seja marcada novamente por nomes tradicionais da política. Mesmo na Câmara dos Deputados, que inspira menos preocupação entre os petistas, políticos da “velha guarda” devem se candidatar, como os ex-deputados José Dirceu e João Paulo Cunha.
