Mudança na Casa Civil enfraquece Kassab no governo Tarcísio, dizem aliados
A troca no comando da Casa Civil do governo paulista é vista por aliados próximos do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como um movimento que enfraquece a atuação de Gilberto Kassab no Palácio dos Bandeirantes.
A pasta, considerada o coração do governo, era chefiada por Arthur Lima, amigo de longa data de Tarcísio, que, com a reorganização interna, assumiu a Secretaria da Justiça. Para o seu lugar, o governador escolheu Roberto Carneiro, presidente do Republicanos em São Paulo.
Segundo um aliado do governador, a escolha de Carneiro não passou por Kassab, que, além de presidir o PSD, ocupa a Secretaria de Governo. A avaliação de três pessoas próximas a Tarcísio, ouvidas reservadamente pelo Estadão, é que a mudança enfraquece Kassab ao levar para o centro do governo um dirigente do partido do governador, com acesso direto a Tarcísio e interlocução com os prefeitos.

A chegada de Carneiro, um nome de perfil político, ocorre às vésperas do calendário eleitoral. O novo secretário terá como principal missão fazer a articulação política do governo para garantir melhores condições a Tarcísio na disputa pela reeleição. Dentro desse pacote está reforçar a relação do Palácio com os chefes dos Executivos municipais e com os partidos aliados.
A atuação de Carneiro se dará em um terreno que também envolve atribuições da Secretaria de Governo, comandada por Kassab. Entre as funções da pasta estão a interlocução com os municípios e a celebração de convênios com prefeituras paulistas.

Antes mesmo das mudanças no primeiro escalão, a caneta de Kassab já era limitada, já que convênios acima de R$ 1 milhão precisam necessariamente de aval da Casa Civil. Correligionários do governador contam que a medida teria sido adotada para impedir a concentração de poder orçamentário nas mãos do PSD, partido que se tornou o maior do País em número de prefeituras.
Aliados de Kassab contestam
Nomes do entorno de Kassab contestam a leitura de que a mudança o enfraquece e afirmam que, com Carneiro, a relação com a Casa Civil tende a melhorar. Eles lembram que o dirigente acumulou atritos com Arthur Lima, ex-chefe da pasta, o que não deve se repetir com Carneiro, político com quem Kassab mantém boa relação há anos. Também ressaltam que Carneiro é ligado ao ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung, que se filiou ao PSD no ano passado.
Por outro lado, aliados do governador citam que, embora Kassab mantenha uma boa relação com Carneiro, o novo chefe da pasta é aliado próximo de Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos e adversário declarado de Kassab. Publicamente, Pereira culpa Kassab por não ter se tornado presidente da Câmara dos Deputados.
Aliados de Tarcísio dizem ainda que Carneiro foi escolhido por sua habilidade política e trânsito entre diferentes partidos, em contraste com Kassab, que se tornou alvo de críticas de dirigentes pelo estilo agressivo adotado na filiação de prefeitos ao PSD. Nas palavras de um correligionário de Tarcísio, a ideia da mudança não era “favorecer” Kassab, mas “fazer um contraponto” a ele.
Carneiro terá dois desafios importantes pela frente. O primeiro será destravar a relação do governo com prefeituras insatisfeitas com a atual gestão. Prefeitos, inclusive de partidos da base, reclamam que Tarcísio prioriza grandes obras de infraestrutura, em detrimento de investimentos diretos nos municípios.
O segundo desafio será recompor a relação com os partidos aliados. Tarcísio precisará montar uma chapa em São Paulo com quatro vagas para oito partidos de sua base — MDB, União Brasil, PL, PP, PSD, Podemos, Republicanos e PSDB. Alguns desses partidos já começaram a manifestar publicamente insatisfação. É o caso do PP, que chegou a ameaçar lançar candidatura própria ao governo paulista.
