24 de janeiro de 2026
Politica

Zema tem dificuldade de reeditar efeito ‘Luzema’ e perde musculatura política

Beneficiado nas eleições de 2022 pelo voto ‘Luzema’, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), não está conseguindo atrair o eleitorado lulista e nem o declaradamente bolsonarista neste ano.

No pleito anterior, quando foi reeleito no primeiro turno com 56% dos votos, a principal base do mineiro vinha da direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas ele também conquistou quase 40% dos eleitores que votavam, em Minas, tanto no presidente Lula como em Romeu Zema, fenômeno apelidado de ‘Luzema’.

Na primeira pesquisa Genial/Quaest deste ano, no entanto, o governador de Minas apareceu com 0% dos votos entre lulistas, e com apenas 2% dos votos entre os bolsonaristas. Mesmo entre os que se dizem independentes ou integrantes da direita não-bolsonarista, Zema marcou apenas 3% dos votos.

Mau desempenho é obstáculo em Minas

O mau desempenho do mineiro nas pesquisas pode atrapalhar as pretensões eleitorais do governador, que é pré-candidato à Presidência, e seus adversários também acreditam que os números baixos vão impactar a corrida pelo governo de Minas.

Zema vai apoiar para a sucessão o seu atual vice-governador, Mateus Simões (PSD), que não aparecia com bom desempenho nas pesquisas feitas em 2025. Na sondagem Genial/Quaest de agosto do ano passado, o vice-governador aparecia em quarto lugar, com 4%, tecnicamente empatado com o senador Rodrigo Pacheco (PSD), que tinha 9% naquela pesquisa.

O cenário político está embolado em Minas, onde o presidente Lula ainda não tem um palanque competitivo. Ele tenta convencer Pacheco a concorrer, mas o senador vinha confidenciando a aliados o seu desejo de sair da vida pública. Pacheco e Lula devem conversar nos próximos dias para bater o martelo sobre a questão.

Segundo maior colégio eleitoral do País, Minas Gerais carrega a máxima de que o candidato a presidente que vence no Estado também é eleito ao Planalto.

Zema tem o pior desempenho da direita

Na pesquisa realizada no início de janeiro, Romeu Zema apareceu com apenas 2% das intenções de voto para o Palácio do Planalto, atrás dos quadros de direita Ronaldo Caiado (União), com 3%, Ratinho Junior (PSD), com 7%, e Flávio Bolsonaro (PL), que tinha 23% na ocasião.

Ex-marqueteiro de Zema nas eleições vitoriosas de 2018 e 2022, Leandro Grôppo afirmou à Coluna do Estadão ser um ‘equívoco’ o governador focar no voto ideológico.

“Em 2018 e 2022 a gente não foi pela ideologia e superamos a polarização num estado que votou majoritariamente para o Lula no primeiro e segundo turnos, porque o foco era a capacidade de gestão e resultado. É isso que o eleitor demanda de um presidente”, explica o marqueteiro. E completou:

“A polarização existe, mas está murchando, o eleitor cansou disso. É um erro um candidato focar somente na ideologia, a não ser que você seja fruto dela, como os Bolsonaro”.

Procurada, a assessoria de Romeu Zema citou entrevista recente do mineiro, na qual ele disse estar ‘felicíssimo’ com o resultado da pesquisa: “Não tenho medo de número pequeno, tenho medo é de quem não trabalha”.

Romeu Zema, governador de Minas
Romeu Zema, governador de Minas

 

 

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