Diretor da PF diz que caso Master sob relatoria de Toffoli segue ‘absoluta regularidade’
BRASÍLIA – O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, afirmou nesta segunda-feira, 26, que o inquérito das fraudes cometidas pelos sócios do Banco Master tramita em “absoluta regularidade” sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Decisões recentes do magistrado foram consideras por agentes federais como interferência indevida nas competências da corporação e na condução da investigação.
“Eu não vou entrar em detalhes operacionais de operações que estejam em andamento. Seja essa ou qualquer outra. Mas é um processo regular. O ministro (Ricardo) Lewandowski comentou na sua aula magna sobre papel do juiz em todos os casos e esse é mais um deles, em absoluta regularidade, que nós seguimos instruindo conforme as determinações dos magistrados”, afirmou.

A declaração foi dada em conversa com jornalistas após a cerimônia de início do curso de formação dos novos agentes da PF. Em seu discurso, o diretor da PF defendeu a autonomia da instituição, com destaque para a análise de provas.
Recentemente, Toffoli provocou atrito com a PF ao exigir que os materiais apreendidos na mais recente ação de busca e apreensão na Operação Compliance Zero fossem enviados lacrados ao STF, onde a análise seria feita. A decisão foi vista por peritos e agentes federais como uma violação das prerrogativas da PF que, comumente, é responsável por analisar e fazer a perícia das informações coletadas em operações.
Depois, o ministro recuou e determinou que os itens apreendidos na operação fossem enviados pela PF para extração e análise da Procuradoria-Geral da República (PGR). Toffoli voltou atrás mais uma vez e autorizou a Polícia a periciar o material, mas escolheu os peritos para o trabalho.
“Quanto maior autonomia investigativa temos, mais resultados apresentamos e mais fortalecidos saímos. Não só a instrução, mas a sociedade como um todo no enfrentamento do andar de cima do crime organizado”, destacou Andrei à imprensa ao ser questionado sobre o grau de autonomia da instituição.
O diretor-geral disse ainda que o material apreendido na operação já está sob análise da PF com extração das provas. “A Polícia Federal é uma instituição de Estado e tem autonomia, que tem sido garantida desde o primeiro dia da nossa gestão pelo governo federal e pelos ministros para que nós façamos o nosso trabalho de polícia juiciária e administrativa da União com isenção e independência como instituição de Estado que somos”, afirmou.
Sobre a oitiva dos oito investigados no inquérito em curso nesta segunda-feira no STF, o diretor-geral da PF disse que a expectativa é que sejam obtidas informações úteis para a instrução do processo. Segundo Andrei, os delegados devem fazer perguntas.
Em dezembro, houve um atrito entre a delegada do caso e o juiz auxiliar de Toffoli durante a acareação entre o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. As duas autoridades se desentenderam sobre o roteiro do ato processual e quais perguntas deveriam ser feitas. O auxiliar do ministro entregou uma lista de perguntas que deveriam ser feitas, ao que a delegada repeliu dizendo que caberia a ela definir os questionamentos.
