26 de janeiro de 2026
Politica

Lula tenta descolar governo do Master após encontros com Toffoli e Vorcaro fora da agenda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atua para descolar o governo da crise do Banco Master. Quase um ano antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Master, Lula teve um encontro fora da agenda com Daniel Vorcaro, dono da instituição, no Palácio do Planalto.

A conversa ocorreu em dezembro de 2024. À época, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, Vorcaro e o ex-CEO do Master Augusto Lima estiveram no Planalto para uma reunião com o chefe do gabinete pessoal de Lula, Marco Aurélio Marcola.

Em seguida, Vorcaro pediu para falar diretamente com Lula, que o recebeu, ao lado de Mantega e de Lima. O presidente mandou, então, chamar para o encontro em seu gabinete, no terceiro andar do Planalto, os ministros Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A informação foi inicialmente publicada por Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.

A Coluna do Estadão apurou que, durante a reunião, Vorcaro reclamou de perseguição por causa da “concentração dos grandes bancos”. Lula respondeu que cabia ao Banco Central averiguar isso e que o caso deveria ser tratado de maneira “isenta e técnica” pela autarquia. Galípolo concordou.

Lula e Toffoli: presidente critica conduta errática do ministro
Lula e Toffoli: presidente critica conduta errática do ministro

Onze meses depois, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master e o escândalo da fraude contra o sistema bancário estourou.

Preocupado com o impacto da crise neste ano eleitoral, Lula convidou há pouco mais de um mês o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para um almoço na Granja do Torto.

O presidente disse a Toffoli, relator do caso do Master no STF, que tudo o que o País não precisa hoje é da desconfiança da sociedade em relação à conduta da Suprema Corte, do Banco Central e da Polícia Federal.

Como mostrou o Estadão, o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é dono de fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, no Paraná.

De acordo com relatos de dois interlocutores de Lula, a conversa com Toffoli na Granja do Torto girou, em vários momentos, sobre a imagem do governo e do próprio STF diante do escândalo do Master. Lula está contrariado com o que tem chamado de “conduta errática” de Toffoli.

O petista mostra apreensão com os ataques sofridos pela Corte e, especialmente, por Toffoli e pelo ministro Alexandre de Moraes, após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado e preso por tentativa de golpe. Lula também disse a Toffoli e a Haddad que era preciso defender Galípolo, alvo de uma milícia digital acionada por aliados de Vorcaro.

Auxiliares do presidente afirmaram à Coluna do Estadão que, dias depois da conversa no Torto, Toffoli entrou em rota de colisão com o comando da Polícia Federal, aborrecendo ainda mais o presidente. Procurado, Toffoli não quis falar sobre o assunto.

 

 

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