PT prefere Haddad a Tebet para governo de SP e rejeita dividir recursos com ministra na campanha
As exigências feitas pela ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), para ser candidata em São Paulo e dar palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva causaram mal-estar nas fileiras do PT. Embora não confirme oficialmente, a Coluna do Estadão apurou que Tebet disse a aliados que pode aceitar o convite para se filiar ao PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin e disputar o governo paulista ou uma cadeira no Senado. Uma das condições, porém, seria a garantia de que o PT assegurasse os recursos necessários para sua campanha e não a abandonasse no meio do caminho.
Tebet integra a comitiva de Lula que viajou nesta terça-feira, 27, para o Panamá, a fim de participar do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. A ministra tem dito que só falará sobre seu futuro político depois de conversar com o presidente, o que pode ocorrer nessa viagem.
Nos bastidores, deputados federais petistas afirmaram à Coluna que o partido não aceitará dividir assim o dinheiro do Fundo Eleitoral, mesmo que o vice em uma eventual chapa liderada por Tebet seja do PT.

Pelo cronograma estabelecido, a repartição dos recursos na campanha será feita da seguinte forma: a maior fatia irá para Lula, candidato à reeleição; depois vêm os concorrentes a governos e ao Senado e, por fim, os deputados federais e estaduais.
O plano A de Lula e da cúpula do PT para a sucessão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Palácio dos Bandeirantes é o titular da Fazenda, Fernando Haddad. O ministro ainda resiste à ideia, mas não deu resposta final e terá novas conversas com o presidente sobre o assunto.
Até agora, Lula não conseguiu montar um palanque forte em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País. Filiada ao MDB há quase 30 anos, Tebet tem sido cogitada tanto para o Bandeirantes como para retornar ao Senado.
O problema é que, em São Paulo, o MDB não apenas está fechado com Tarcísio como faz oposição a Lula, embora tenha três ministros no governo federal – além de Tebet, Renan Filho (Transportes) e Jader Filho (Cidades).
Diante deste cenário, Tebet teria de deixar o MDB do Mato Grosso do Sul, onde está filiada, mudar o título eleitoral para São Paulo e migrar para o PSB de Alckmin. Ex-tucano, o vice-presidente deve continuar a fazer dobradinha com Lula na chapa da reeleição.
Em 2024, PT divergiu sobre valor para campanha de Boulos
Pesquisas em poder do PT indicam que Tebet é um dos cinco nomes do chamado “campo progressista” com potencial de crescimento em São Paulo. Os outros são Haddad, Alckmin, Guilherme Boulos (PSOL), hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência e Márcio França (PSB), titular do Empreendedorismo.
Boulos assumiu a Secretaria-Geral há apenas três meses e não deixará o cargo para concorrer às eleições. Em 2024, na disputa para a Prefeitura de São Paulo, ele teve o apoio do PT, contou com Marta Suplicy como vice e foi o desafiante de Ricardo Nunes (MDB). À época, o PT relutou muito em repassar R$ 30 milhões para a campanha de Boulos e só o fez após intervenção de Lula.
Presidente do PSB, o prefeito do Recife, João Campos, confirmou o convite feito a Tebet, ainda no ano passado. França, por sua vez, disse que apoia a entrada da colega no partido, embora mantenha sua pré-candidatura ao Bandeirantes.
