Após infiltração do PCC, prefeitura e Câmara de Ferraz de Vasconcelos são alvo de buscas do Gaeco
Mais de cem policiais participam, na manhã desta quarta-feira, 28, da Operação TAC, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, que cumpre mandados de busca e apreensão na Prefeitura e na Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Foram afastados do exercício das funções públicas por 180 dias o secretário de Administração de Ferraz de Vasconcelos, Adriano Dias Campos, o secretário da Fazenda do município, Pedro Paulo Teixeira Júnior, o vereador de Ferraz Ewerton de Lissa Souza (Podemos) e o coordenador executivo da Secretaria do Meio Ambiente da cidade, Moacyr Alves de Souza.
O Estadão pediu manifestaão dos servidores afastados, além da prefeitura e da Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos. O espaço está aberto.

Deflagrada nesta manhã pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, a operação foi estruturada a partir de dados obtidos e compartilhados da Operação Munditia, que foi às ruas em 2024 para apurar um complexo esquema de fraudes em licitações operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em prefeituras e câmaras municipais do interior paulista e da região metropolitana.
Além das diligências, houve a suspensão do exercício da função pública dos envolvidos e o bloqueio de bens e valores ligados aos investigados e às pessoas jurídicas implicadas no esquema.

Segundo o Ministério Público, a suspensão de certidões de dívida ativa de uma das empresas suspeitas, relacionadas a autos de infração ambiental, e a desistência de ações judiciais pelo município foram motivadas por suposto pagamento de propina.
As investigações apontam que a dívida da empresa suspeita, negociada entre os investigados, ultrapassava R$ 24 milhões.
Para viabilizar a celebração de dois termos de ajustamento de conduta (TAC) que previam obrigações de reparação ambiental, foi acertada a suspensão da cobrança do débito, a desistência de ações judiciais e o pagamento de propina a agentes públicos, entre eles secretários municipais e um vereador, além de terceiros com influência política na cidade.
Segundo o Ministério Público, os dois TACs chegaram a ser firmados e o pagamento da propina ocorreu por meio da emissão de notas fiscais em nome de empresas, algumas de fachada, e da transferência de valores aos envolvidos.
Em atualização.
