1 de fevereiro de 2026
Politica

Gleisi defende Lewandowski, mas indica que governo se preocupa com impacto do escândalo do Master

O governo Lula está preocupado com o impacto do escândalo do Banco Master sobre ministros e líderes do PT neste ano eleitoral. Em café da manhã com jornalistas, nesta quarta-feira, 28, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, procurou tirar o Executivo do foco – que até então estava voltado para o Centrão – e direcionou os ataques aos adversários. Mas indicou que o governo monitora a crise com cautela.

Gleisi saiu em defesa do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. O escritório da família de Lewandowski, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), foi contratado pelo Master de 2023 a agosto de 2025, recebendo R$ 5 milhões do banco para prestação de consultoria jurídica. O ministro ficou no comando da Justiça de fevereiro de 2024 a 9 de janeiro deste ano.

Responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso, Gleisi disse que, antes de ingressar no governo, Lewandowski informou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o escritório de sua família prestava consultoria privada e que ele iria se afastar dessas atividades.

Gleisi diz que governo Lula não terá complacência com escândalo do Master
Gleisi diz que governo Lula não terá complacência com escândalo do Master

“Não sei se ele falou exatamente do Master (com Lula), mas deve ter comentado. Agora, o que isso influenciou nas decisões? O presidente do Master, Daniel Vorcaro, foi preso na gestão de Lewandowski, quando ele era ministro da Justiça, e tinha a Polícia Federal sob seu comando”, insistiu.

Em mais de uma ocasião, Gleisi afirmou que “o governo está atuando com toda a autonomia na investigação e não tem nada a temer”. A ministra também disse que quem acusa o governo da Bahia, comandado pelo PT, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), de envolvimento com irregularidades com o Master “tem de provar” o que diz.

“A tentativa (da oposição) de colar (o escândalo) no governo Lula não procede. A maioria dos envolvidos em contratos nesse processo do Master está em governos da oposição”, fustigou Gleisi, ao mencionar os governos do Rio de Janeiro e do Distrito Federal. “A oposição também tem de explicar por que o empresário Fabiano Zettel, que é cunhado do Vorcaro, foi o maior doador da campanha de Bolsonaro e do Tarcísio”, completou ela, numa referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso, e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

De saída do governo para se candidatar a uma cadeira no Senado, Gleisi nada disse, porém, sobre o fato de Zettel ter sido sócio de dois irmãos e de um primo do ministro do STF Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná. A ministra também não quis fazer qualquer comentário sobre a atuação de Toffoli, relator do caso Master no STF, nesse episódio. “Não me cabe fazer isso”, justificou.

 

 

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