1 de fevereiro de 2026
Politica

Advogado acusado de 95 crimes e suspeito de ajudar facção na Paraíba tem punição mantida pelo STJ

O advogado Ennio Alves de Sousa Andrade Lima, suspeito de cometer crimes por, ao menos, 95 vezes – entre eles, falsidade ideológica e corrupção ativa – teve as medidas cautelares mantidas pelo Superior Tribunal de Justiça nesta quinta-feira, 29. Em junho de 2024, Ennio foi proibido pela Justiça de exercer a advocacia e de frequentar estabelecimentos prisionais, medida adotada em razão das suspeitas de que ele integraria uma organização criminosa. A defesa alega que a duração prolongada das restrições a Ennio ‘configura antecipação da pena, o que viola o princípio da presunção da inocência’.

Segundo o Ministério Público, o advogado teria utilizado o acesso às unidades prisionais para obter benefícios penais a líderes de facções presos na penitenciária de Cajazeiras, na Paraíba, a cerca de 475 quilômetros de João Pessoa.

Advogado Ennio Alves de Sousa Andrade Lima, suspeito de cometer crimes por, ao menos, 95 vezes
Advogado Ennio Alves de Sousa Andrade Lima, suspeito de cometer crimes por, ao menos, 95 vezes

O Estadão busca contato com a defesa de Ennio. O espaço está aberto.

Para a acusação, sob o pretexto de atuar como advogado de presos, Ennio usaria documentos falsos – laudos médicos, certidões carcerárias, declarações de trabalho ou estudo – para obter vantagens como prisão domiciliar e remição de pena, recebendo, em contrapartida, elevadas quantias de dinheiro disfarçadas de honorários.

No pedido de habeas corpus submetido ao STJ, a defesa de Ennio sustenta que “os motivos que fundamentaram as medidas cautelares não mais subsistem e que não há risco atual e concreto à instrução criminal ou à aplicação da lei penal”.

A defesa pondera que a suspensão do exercício profissional ‘vem causando prejuízos desproporcionais’ ao réu e que ‘o monitoramento eletrônico poderia ser substituído por medidas menos gravosas’.

O mérito do habeas corpus será analisado pela Sexta Turma, sob relatoria do ministro Antonio Saldanha Palheiro.

 

 

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