2 de fevereiro de 2026
Politica

Juiz condena matadores de advogado do Mensalão a até 27 anos de prisão

O juíz Gustavo Celeste Ormenese, da 19.ª Vara Criminal de São Paulo, condenou nesta quinta-feira, 29, a até 27 anos de prisão os acusados pelo assassinato do criminalista Luiz Fernando Pacheco. Os réus Lucas Bras dos Santos e Ana Paula Teixeira Pinto de Jesus foram condenados por latrocínio (roubo seguido de morte), e José Lucas Domingo Alves por receptação.

No processo, eles não negaram os crimes.

Pacheco se notabilizou por sua advocacia na área criminal, em causas polêmicas e complexas, como no processo do Mensalão, no qual defendeu o ex-presidente do PT, José Genoino.

O advogado criminalista Luiz Fernando Pacheco.
O advogado criminalista Luiz Fernando Pacheco.

Lucas Bras pegou 27 anos, dois meses e 20 dias de reclusão. Sua companheira, Ana Paula, recebeu uma pena de 23 anos, quatro meses de reclusão e onze dias de reclusão. O terceiro condenado, José Lucas, pegou dois anos e quatro meses pela receptação dos bens de Pacheco.

O assassinato do advogado ocorreu na madrugada de 2 de outubro do ano passado na rua Itambé, em Higienópolis, região central de São Paulo, e foi cercado de grande repercussão. Embriagado e sob efeito de medicamentos, segundo a investigação, Pacheco foi abordado violentamente por Ana Paula e Lucas Bras. Eles roubaram o celular, um Rolex e uma carteira com documentos pessoais de Pacheco.

Para o juíz, o advogado “estava em visível estado de vulnerabilidade” e o casal agiu em “circustâncias reprováveis”. Pacheco, no momento da abordagem, levou uma rasteira e desabou na calçada, batendo a cabeça.

Assalto ao advogado Luiz Fernando Pacheco, em Higienópolis, no Centro de São Paulo, em 30 de setembro de 2025.
Assalto ao advogado Luiz Fernando Pacheco, em Higienópolis, no Centro de São Paulo, em 30 de setembro de 2025.

Desacordado, Pacheco só foi socorrido muitas horas depois, após registro de um boletim de ocorrência na Polícia sobre seu desaparecimento.

“Durante o entrevero físico, com chutes, puxões, socos e rasteiras, a vítima caiu e convulsionou, tendo falecido”, diz a decisão.

Câmeras do circuito de segurança do bairro flagaram o ataque de Lucas e Ana Paula. “Nas gravações disponíveis, é possível ver, de forma clara e nítida, o momento da ação delituosa, a violência física empregada, a subtração dos bens da vítima e sua queda”, frisou o magistrado.

“O fato de a vítima estar embriagada e ter ingerido os medicamentos Diazepam, Nordiazepam, Duloxetina e Lamotrigina, tal como constatado no laudo, não exclui a responsabilidade penal dos acusados”, acentuou Gustavo Celeste Ormenese, em sentença de 26 páginas.

 

 

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