1 de fevereiro de 2026
Politica

‘O sr. não teve medo de comprar carteiras podres do Master?’, pergunta PF a ex-BRB; veja resposta

BRASÍLIA — O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa disse, em depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro, que não há evidências de que as carteiras compradas pela instituição do Banco Master eram “podres”, como apontou a investigação.

A PF indica que houve fraude na compra de R$ 12,2 bilhões em créditos “podres” do Banco Master pelo BRB, gerando prejuízos para a estatal de Brasília. Paulo Henrique Costa é investigado pela Polícia Federal no processo.

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa disse, em depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro, que não há evidências de que as carteiras compradas pela instituição do Banco Master eram “podres”, como apontou a investigação.
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa disse, em depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro, que não há evidências de que as carteiras compradas pela instituição do Banco Master eram “podres”, como apontou a investigação.

Em nota, a defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que o depoimento foi prestado com “clareza, consistência e compromisso com a verdade” e que o BRB atuou de maneira técnica e diligente quando identificou ativos com padrão documental distinto.

Durante o depoimento, a delegada Janaína Palazzo indagou se Paulo Henrique não teve medo de negociar ativos “podres” com o Master e comprometer a situação do BRB.

“O senhor não teve medo, como presidente, de negociar isso, assim, depois de uma fraude financeira de R$ 12 bilhões, que é a maior da história do Brasil, de falsificação de carteiras de CCB’s (Cédulas de Crédito Bancário)?”

Em resposta, Paulo Henrique afirmou que o BRB não tem até hoje evidências de que as carteiras eram fraudadas. “Doutora Janaína, até hoje a gente não tem uma evidência concreta de que essas carteiras tinham problema ou como, como é dito, são carteiras podres.”

O ex-presidente relatou que o banco estatal começou a comprar carteiras de crédito consignado do Master em julho de 2024, mas que, um tempo depois, começou a não receber mais os recursos que deveriam ser repassados pelo banco de Daniel Vorcaro.

Então, para compensar esse rombo, o BRB começou a comprar outras carteiras do Master que julgava ter melhor desempenh e comunicar os fatos ao Banco Central.

Além das carteiras, o BRB tentou comprar o Banco Master. A negociação foi negada pelo Banco Central. A delegada que conduziu a oitiva também questionou quais foram as informações que fizeram Paulo Henrique julgar que a aquisição do Master era compatível com os interesses do BRB.

O ex-presidente do banco estatal justificou que a instituição de Vorcaro poderia complementar as suas atividades com uma série de produtos, serviços e vantagens das quais careciam para ampliar a operação, desde que fizessem uma “auditoria relevante”.

“O Banco Master agregava produtos, segmentos, tecnologia e recursos especializados também em câmbio. A atuação no Sudeste e no Nordeste”, afirmou. “Então o Banco Master tinha um conjunto de características que interessavam e complementavam o negócio do BRB”, prosseguiu.

“Quando nós olhamos essa mistura de complementaridades, nós entendemos que isso poderia dar um bom negócio, desde que nós fizéssemos uma auditoria relevante no Banco Master”, concluiu.

Em nota, a defesa do ex-presidente do BRB afirmou que o banco atuou de forma técnica e diligente quando identificou ativos com padrão documental distinto. Além disso, os advogados dizem que é incorreto enquadrar a compra do Banco Master como uma “aquisição indiscriminada ou tentativa de salvamento”.

“O depoimento de Paulo Henrique Costa foi prestado com clareza, consistência e compromisso com a verdade, reafirmando que sua atuação, em todos os momentos, foi orientada exclusivamente pelo interesse do BRB, por critérios técnicos e pelo cumprimento dos deveres fiduciários inerentes à administração de uma instituição financeira pública”, disse a defesa.

 

 

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