Vai ter briga na direita com Caiado e cia? Se forem astutos, não
A novidade da semana na corrida eleitoral de 2026 foi o ingresso do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no PSD de Gilberto Kassab. Como são insondáveis as intenções finais do presidente do partido, Kassab, em tese a agremiação hoje conta com três pré-candidatos à presidência – também o governador do Paraná, Ratinho Júnior, e o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. De fato, é uma oxigenação no cenário após a suposta desistência forçada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Uma primeira visão apressada do panorama apontou que houve um “racha na direita”. Não necessariamente. Temos um exemplo bastante recente no Chile, em que a divisão entre as candidaturas de centro-direita e direita serviu para, no final das contas, derrotar a chapa esquerdista que representava o governo, no turno final.

Mas para isso, os candidatos brasileiros teriam de ter disciplina para não transformar a dupla opção na direita numa guerra civil. Como se sabe, bolsonaristas são algo impulsivos e sempre prontos a ativar a metralhadora giratória até contra os seus. Caiado é outro que não leva desaforo para casa. Então, a ver se farão um bom acordo.
O que mais pode ser visto? Uma das possibilidades é que certo eleitorado de centro, minoritário e decisivo, pode escolher um candidato do PSD no primeiro turno. Até então, sem essa opção, seriam votos divididos entre o senador Flávio Bolsonaro, nulo e mesmo o presidente Lula. Com a novidade de Caiado e companhia, dificulta-se a eleição ser decidida em primeiro turno.
Outra questão é a dinâmica da campanha, que se avizinha violenta. A depender da configuração, serão dois adversários mais relevantes a apontar suas armas em direção ao presidente Lula.
Num cenário de Flávio e Caiado como oposicionistas, seriam rajadas e rajadas retóricas contra a esquerda e o Partido dos Trabalhadores. Ambos se comprometeriam com um indulto ao presidente Bolsonaro. A caminhada de Nikolas Ferreira mostrou que a capacidade de mobilização na direita permanece forte.
Num caso de Eduardo Leite como candidato, a discussão se tornaria mais sutil. Crítico da política econômica do governo petista, não iria emitir duras opiniões sobre o processo que levou Bolsonaro à cadeia, por exemplo. Faria uma campanha institucional, tentando focar em reformas para o país ou questões administrativas, ao seu estilo, na esperança de empolgar o eleitorado em tempos de ânimos acirrados e adesões apaixonadas.
Ratinho Júnior, provavelmente, se for o escolhido, fará uma campanha mais à direita do que Eduardo Leite e “esquerda” de Flávio ou Caiado.
Num segundo turno, o apoio desse candidato de “centro-direita”, caso derrotado, seria fundamental para que se consiga a vitória. Logo, de alguma maneira, teria de ser poupado pelos outros adversários. Caiado e Ratinho apoiariam Flávio, se não apanharem demais da direita mais radical no processo. Com Eduardo Leite, este movimento não é tão claro.
Uma possibilidade, menos provável, são aqueles que, pelo menos segundo as pesquisas, dizem querer uma alternativa fora da disjuntiva Lula-Bolsonaro, decidam pelo pleiteante do PSD e a tal terceira via se viabilize competitiva. Como vivemos em um País em que o improvável se torna possível, a conferir.
