1 de fevereiro de 2026
Politica

Desembargadora decreta bloqueio de R$ 150 milhões da Fictor, holding que tentou comprar o Master

A desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do Tribuinal de Justiça de São Paulo, decretou na última quarta-feira, 27 o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor, holding de investimentos que atua na compra de participações e gestão de empresas. A empresa, que tem capital aberto na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, ficou mais conhecida por ter feito uma proposta de compra do Banco Master um dia antes de ele ter a sua liquidação decretada pelo Banco Central, em 18 de novembro do ano passado.

Procurada, a Fictor informou que somente se manifestará por meio dos autos, uma vez que o processo está em segredo de justiça.

A decisão da magistrada, que compõe a 30ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP, impôs o bloqueio dos ativos financeiros da Fictor como uma forma de preservar uma garantia em dinheiro desse valor de R$ 150 milhões que seria prevista em contrato de uma operação de cartões de créditos empresariais. A decisão foi uma resposta a recurso após um entendimento anterior que negou o bloqueio.

Desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do Tribuinal de Justiça de São Paulo, decretou na última quarta-feira, 27 o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor
Desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do Tribuinal de Justiça de São Paulo, decretou na última quarta-feira, 27 o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor

Desde o início do ano, a holding passou a enfrentar uma série de ações judiciais movidas por investidores que afirmam não ter recebido a rentabilidade mensal fixa prometida pela empresa. Segundo os processos, após solicitarem o resgate dos valores aplicados, os investidores não receberam os recursos no prazo contratual, diante de sucessivas justificativas e atrasos apresentados pela empresa.

Além da decisão da desembargadora Pizzoti, um outro decreto judicial embargou R$ 7,3 milhões da Fictor no dia 26 de janeiro. A Justiça apontou risco concreto de prejuízo aos credores. A decisão afirma que, “no que refere ao perigo de dano, os autores relatam atrasos reiterados na restituição da quantia investida (resgate), ausência de resposta às notificações extrajudiciais e notícias de instabilidade financeira do grupo econômico Fictor, ora requerido, circunstâncias que, em conjunto, revelam risco concreto de frustração da futura satisfação do crédito”.

Outras decisões de constrição patrimonial contra a empresa também indicam indícios de irregularidades na estrutura de captação de recursos e o risco de inadimplemento generalizado. Em outro despacho, a Justiça registrou que “o contexto delineado nos autos aponta para risco concreto de dissipação ou indisponibilidade futura do patrimônio das rés, seja pela corrida de credores, seja pela possibilidade de adoção de medidas empresariais que comprometam a solvência”.

A Fictor ganhou projeção nacional ao anunciar, em novembro de 2025, a intenção de comprar o Banco Master um dia antes da liquidação da instituição pelo Banco Central. À época, a empresa afirmou estar disposta a aportar R$ 3 bilhões, em parceria com investidores árabes não identificados – proposta que gerou dúvidas no mercado sobre sua viabilidade financeira. A holding também figura como patrocinadora da Sociedade Esportiva Palmeiras.

 

 

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