Caso Master: Planalto adota estratégia de apontar doações de Zettel para Bolsonaro e Tarcísio
O Palácio do Planalto definiu uma estratégia para tentar manter distância regulamentar do escândalo do Banco Master e evitar que a crise contamine a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a novo mandato.
A ordem do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, é para que seus colegas não fiquem na defensiva e destaquem que a investigação das irregularidades foi aberta no governo Lula. Trata-se de uma tática parecida com a que foi usada para enfrentar o colapso vivido com o desvio de aposentadorias do INSS.
Além disso, ministros devem encaixar nas respostas às perguntas incômodas as doações de campanha feitas pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Foi com essa avaliação que a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que cabe aos adversários do PT esclarecer os envolvimentos de seus governos com o Master.
“A oposição tem de explicar por que o empresário Fabiano Zettel, que é cunhado do Vorcaro, foi o maior doador individual da campanha de Bolsonaro e do Tarcísio”, afirmou Gleisi, sem comentar a relação entre Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, com caciques políticos do PT da Bahia. “Quais são as provas?”, questionou ela.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também afirmou, numa referência a Vorcaro e seu entorno, que “essa turma” foi a maior financiadora das campanhas eleitorais de Tarcísio e de Bolsonaro, em 2022.
À época, Haddad disputou o governo de São Paulo com Tarcísio. Naquele ano, Fabiano Zettel contribuiu com R$ 3 milhões para o ex-presidente e R$ 2 milhões para o atual governador.
No diagnóstico do chefe da equipe econômica, investigações sobre o financiamento de campanhas por parte de Vorcaro e seus sócios vão contribuir muito com novas descobertas sobre o escândalo do Master.
